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Tudo o que há para saber

de Miguel Ledro Henriques

em 08 Mai 2023

  (...anterior) Existe o termo “dharana”, que pode ser traduzido como “atenção focada”, “suporte”, ou “concentração”, ou seja, colocar a atenção intencionalmente num fenómeno; o termo “dhyana”, que pode ser traduzido por “concentração sem esforço”, ou “meditação”, ou seja, manter o fluxo da atenção intencionalmente num fenómeno prolongadamente; e o termo “samadhi”, que pode ser traduzido por “dissolução meditativa”, ou “união”, ou seja, manter o fluxo da atenção intencionalmente num fenómeno de tal maneira que a experiência de observador e fenómeno observado desaparece, sendo substituída por um estado de dissolução, fusão ou união de ambos, caracterizado por puro conhecimento, puro ser, puro um. Enquanto o movimento de concentração pode ser iniciado por uma intenção mental, a meditação é o resultado natural espontâneo da estabilização da concentração, e como tal, se quisermos ser exactos, não pode ser forçada, iniciada ou praticada. Da mesma maneira, a União surge por si mesma, livremente, como resultado da paciente e tenaz prática da concentração, seguida da estabilização sem propósito em meditação.
Agora, o leitor poderia pôr a pergunta: “Mas porque quereria eu ter a experiência de desaparecer, de me dissolver? Estou apenas à procura de uma maneira de escapar do sofrimento, ou de ser feliz, ou de ser melhor.” Ora, ao olhar cuidadosamente para qualquer um dos momentos da tua vida nos quais houve total satisfação, quando houve intenso amor, felicidade, paz, calma, alegria, é fácil descobrir que, tal como no período da infância que já mencionámos, aqueles foram momentos em que havia total união com a experiência, com o que estavas a fazer, com o simples ser – foram momentos em que realmente te esqueceste de ti (para ser mais preciso, em que te esqueceste que estás acostumada/o a pensar que és tu) enquanto algo separado do resto do mundo, e havia apenas a vivência de um fluxo, um aqui e agora contínuo, sem qualquer perturbação do passado, futuro, mente, desejo. Paradoxalmente, é quanto tu enquanto personalidade estás menos lá que te sentes mais viva/o e elevada/o. Nesses momentos, não há “eu” – há simplesmente Ser, simplesmente Existência.
Mas estes momentos são sempre passageiros, e pelo caminho parecemos aprender que precisamos de esperar que algo aconteça no mundo para os produzir, para nos dar satisfação, amor, alegria. Tornamo-nos condicionados a pensar que aquilo que queremos tem de acontecer, ou o que não queremos não acontecer, para que possamos ser felizes, estar num bom estado de consciência, ter uma boa vida. Pouco a pouco, quase imperceptivelmente, tornamo-nos prisioneiros das nossas preferências, escravos daquilo que é chamado de ego, o mesmo que personalidade. E é para isto que entramos no movimento de concentração, meditação e União – é o processo de cortar as grilhetas, largar as correntes, tornar-nos livres, realizar que os nossos estados de consciência, os estados de ser, não são dependentes de nada externo: nós criamos a qualidade da nossa vida. A concentração, meditação e União – a simultaneidade dos três denomina-se em sânscrito “samyama”, que traduziremos a partir de agora por fluxo espiritual – levar-nos-á experiencialmente, directamente, e para lá de qualquer dúvida, daquilo que sentimos agora ser – o conteúdo da consciência, a sempre em mudança confusão de pensamentos, emoções, desejos e percepções sensoriais – ao que mais verdadeira e profundamente somos – a própria consciência, puro saber. O processo mostra-nos gradualmente o espaço entre o nosso ser e as suas experiências, permite-nos dar mais e mais passos atrás afastando-nos do palco da vida, abrindo e amplificando a nossa perspectiva, até que nos encontramos com a certeza clara de que somos a luz que ilumina aquele palco. Mas é certamente melhor não imaginar como pode ser o fluxo espiritual, isso criaria uma expectativa, e daí a uma preferência é um passo muito curto, o que seria ainda outra barreira perante aquilo que Realmente É.
  (... continua) 
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