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O Além, como encará-lo?

de Diogo Castelão Sousa

em 14 Out 2021

   E se de certa forma o ‘Hades’ ou o Além, como lhe queiramos chamar, fosse provado pelo seu oposto? E se a resposta estivesse contida não na morte mas na nascença? Efetivamente, ao observar e ponderar sobre o nascimento de diversos seres, a certa altura damos por nós a perguntar como seria possível realmente coexistirem tantas miríades diferentes de caráter, atitude e tendências, por vezes geniais, entusiásticas e bondosas, por vezes interesseiras, medíocres e apáticas, ora interessadas unicamente pelo mundo, ora viradas devotamente para Deus, manifestas logo na juventude das crianças?

Sem falar nos casos mais extremos e minoritários, que alegadamente nascem a lembrar-se de vidas passadas, tal como sugerem os estudos do psiquiatra canadiano Dr. Ian Stevenson, ou até nas EQM, com efeito, como poderíamos nós explicar as várias experiências místicas ou dons geniais, quer a nível das artes, ciências, ou literatura, entre outras, que logo desde idade precoce certas crianças ‘eleitas’ manifestam? Porventura, se considerássemos tal feição ‘fruto do acaso’, teríamos forçosamente de concluir que também esse acaso seria tão injusto quanto aleatório, no fundo, desesperante para alguns e sorridente para outros, na sua desordem.

Na verdade, para quem nasça com um certo desenvolvimento mental ou doenças físicas, para quem quer que receba ou exiba certos dons ou regalias terrenas, deve e tem de haver ou existir uma explicação apropriada, uma causa subjacente, oculta, precedente a tal efeito. Deveria efetivamente haver um começo que precedesse tal ‘segundo nascimento’. De outro modo, diríamos nós, com espanto e grande convicção, que tudo é imprópria e demasiadamente impiedoso e que o Destino escolhe os seus desígnios sem vista a qualquer regra de justiça, prejudicando muitos, pelo seu caminho, logo à nascença, com diversos infortúnios aleatórios, seja doenças a nível físico ou desordens a nível mental, i.e., de um ponto de vista estritamente ‘biológico’…

Ou isto, ou contrariamente teríamos que aceitar e ceder à tese da reencarnação, no fundo, do Além, explicando deste modo as diversas anomalias e provocantes contrastes que existem entre os seres humanos logo à nascença, as estranhas aptidões ou faltas de caráter com que cada um inegavelmente já nasce, para não falar dos ambientes que povoa, descartando assim a ideia de gratuita neutralidade. Claro que a isto alguns contraporiam que tais características seriam o fruto natural do gene biológico, transmitido pelos pais, ou por um certo atavismo até, ao que responderíamos nós, sem refutar tal argumento, que de facto isso não impediria de modo algum a tese aqui defendida e que de certo modo até a complementaria, pois uma vez eleito o destino oculto da alma, seu paradeiro corresponderia à contraparte física que espelhasse tais características internas, qual gene dos pais que já conteria e no qual seria gerado esse ‘futuro embrião de vida’, espelhando assim, na sua união, o novo caráter do indivíduo inteligentemente predeterminado.

Na verdade, o que aqui é referido não se apresenta como algo de novo, pois já constitui um importante pilar das milenares tradições religiosas da Índia, bem como um elemento-chave da filosofia platónica. Recorrendo a Sócrates, diríamos nós o seguinte: que cada um no final da sua vida terrena parte não com o corpo, aspeto, nome ou identidade, mas com aquilo que fez e trabalhou durante a sua vida, com as várias virtudes ou vícios que desenvolveu nessa encarnação, para logo se apresentar à balança imparcial dos ‘Senhores do Hades’ ou Juiz do Além, que olhando para a sua alma desnuda vê e lhe atribui um destino ou ‘transmigração’ correspondente às suas frequências vibratórias, energéticas, de acordo com as suas várias paixões, medos, nobrezas ou faltas de caráter cometidas em vida.

Pensar então nas crianças que nascem e são já tão diversas, tão específicas, tão próprias nas suas tendências é, de certo modo, lembrar intuitivamente a lei de causa e efeito, que apesar de invisível, jaz silenciosamente qual teia sobre o todo da existência, sem explanação para muitos mas bem real, comandando assim o nosso coração a procurar e desenvolver aquilo que corresponde ao mais alto, ao Bem, ao Belo e ao Justo, numa busca interna de constante alinhamento, contemplando assim aquilo que deste modo representaria para a alma o mais benéfico e o mais essencial, ou seja, o correto e o necessário. No fundo, aquilo que lhe permitiria a melhor aprendizagem da sua existência terrena e passagem afortunada no Além.
     


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