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A criatividade representa a face nobre do homem, quer seja de uma forma concreta, material, quer subjectiva, subtil através do seu Pensamento. Qualquer forma criativa é arte, e arte é religar a ponte entre a matéria e o Espírito, entre o homem e Deus, podendo a inspiração levar a horizontes cada vez mais alargados, tocando o Infinito…

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Maria Madalena

de Zelinda Gonçalves

em 04 Abr 2006

  Qualquer que seja a interpretação que se queira dar aos símbolos, a cena principal remete-nos para uma mulher que, segundo os Evangelhos acompanhou sempre Jesus Cristo até ao Calvário, foi a primeira a visitar o Seu sepulcro, informando depois Pedro e João que este se encontrava vazio. De regresso ao sepulcro, mereceu a primeira visita de um Jesus Cristo gloriosamente ressuscitado.





Esta pintura foi mandada executar por Isabel Lopes de acordo com informação colhida do seu testamento datado de 1524 para ser colocada no altar-mor da Igreja da Madalena do Mar fundada, ainda no século XV, por Henrique (§) Alemão.
“Isabel Lopes foi aia de Dona Maria de Noronha, mulher de Simão Gonçalves da Câmara, segundo Donatário do Funchal. Foi casada com João Rodrigues de Freitas, natural do Algarve e viúvo de Senhorinha Anes que, por sua vez era viúva de Henrique Alemão”. (1)
O acervo de pintura flamenga do M.A.S.F. tem por base as relações comerciais entre Portugal e a Flandres. Um dos produtos exportados, e bastante apreciado, era o açúcar de cana fabricado na Ilha da Madeira.
O estatuto económico de alguns comerciantes madeirenses, do apreciado produto “leva-os a encomendar à Flandres obras de arte para as suas igrejas matrizes, capelas privadas e abastadas casas senhoriais. É manifestação de exibição económica o gigantismo dos painéis e trípticos do Funchal que felizmente primam pela grande qualidade pictórica”. (2)

Na época flamenga as cenas sagradas são tratadas por vezes como cenas da vida profana, daí que nesta excelente obra de artista flamengo não identificado, Maria Madalena surja como uma autentica dama da corte, ou mesmo uma rainha. Veja-se a sua elegância e beleza expressa na doçura do olhar, nos ricos brocados que a envolvem, nas finas jóias que a ornamentam, bem como na beleza do vaso de perfume de nardo, incrustado de pedras preciosas, com que perfumou os pés de Cristo.

O baldaquino é vulgarmente destinado à protecção e ostentação da dignidade de pessoas importantes cobrindo tronos e altares. Ao ser aplicado na composição do quadro está a elevar a figura da santa à hierarquia celeste.
A árvore, (à qual está preso o baldaquino) é na sua simbologia uma representação do cosmos vivo, em perpétua regeneração (Mircea Eliade (§)). É um símbolo da vida em contínua evolução, em ascensão para o céu e que põe em comunicação os três níveis do cosmos – o subterrâneo, a superfície e as alturas.

A árvore e a própria figura de Madalena marcam a verticalidade da cMaria Madalenaomposição, fazendo a ligação Terra/Céu.
Há uma outra linha, esta horizontal, que marca a composição dividindo o espaço mais próximo do observador e a paisagem representada nos dois terços superiores do quadro. Esta paisagem contém vários elementos que se dispersam numa perspectiva já construída com rigor, mostrando-nos cenas secundárias que compõem e enriquecem a composição. Nesta paisagem existem vários elementos simbólicos onde por vezes se pretende uma “correcção” à mensagem principal. É o caso da coruja, do coelho, da raposa, dos dentes-de-leão e do caracol. Estes, como todos os símbolos, têm duas vertentes de leitura, que ficará dependente do ponto de vista do observador.
A cena da Madalena Penitente, posta também em segundo plano, alude à tradição que a coloca como eremita numa gruta, facto este que assenta em lendas cujo valor histórico é impossível verificar.

Toda a composição se desenvolve num ambiente pouco iluminado, especialmente o primeiro plano onde uma superfície escura faz destacar a imponente figura de Madalena, essa sim, bem iluminada por uma luz que vem do alto modelando o seu rosto e os gestos. Também alguns arbustos se destacam como pequenos pontos de luz o que confere algum dinamismo à composição.

Qualquer que seja a interpretação que se queira dar aos símbolos, a cena principal remete-nos para uma mulher que, segundo os Evangelhos acompanhou sempre Jesus Cristo até ao Calvário, foi a primeira a visitar o Seu sepulcro, informando depois Pedro e João que este se encontrava vazio. De regresso ao sepulcro, mereceu a primeira visita de um Jesus Cristo gloriosamente ressuscitado.

MARIA MADALENA, pintura a óleo sobre madeira do 1º quartel do século XVI, com 216 x 120 cm, encontra-se no Museu de Arte Sacra do Funchal (M.A.S.F.)

(1) e (2) citado do livro Museu de Arte Sacra do Funchal – Arte Flamenga da Edicarte

Bibliografia – Museu de Arte Sacra do Funchal – Arte Flamenga da Editora Edicarte;
Dicionário de Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrand Editora teorema
Dicionário Ilustrado de Símbolos de Hans Biedermann Editora Melhoramentos
Enciclopédia Portuguesa Brasileira
   


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