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O espaço Orações tem a finalidade de congregar invocações místicas de todos os quadrantes religiosos, onde no silêncio do coração realizamos, que nem o idioma, nem o espaço geográfico, nem a raça são barreiras à união espiritual dos povos, pois no apelo ao Divino a atitude interior dos seres manifesta-se necessariamente Universal.

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Arte de Orar

de Diogo Monteiro

em 01 Fev 2007

  «Depois de dizer o que me pareceu bastante para dar notícia do que toca à meditação e discurso, também achei que convinha dar alguns aos que hão-de passar avante, e entrar no estado de contemplação, para que é de advertir, que a primeira dificuldade é a necessidade que a alma tem de se privar e desembaraçar dos actos de suas potências e sentidos, sendo assim que são de tanta importância para a vida espiritual que não tem a alma outras asas para poder ir a Deus, se não estas potências e sentidos mediante os seus actos, donde parece que fica de todo impossibilitada para ir a Ele privando-se desses actos e potências».
Diogo Monteiro


S. Francisco - Nicholas Roerich Tratado de Contemplação

Excertos da obra "Arte de Orar" – Século XVII

Porém, a verdade é que o uso das potências não pertence senão aos principiantes, e que não tratam mais que de meditações e discursos, porque com os actos dessas potências apreendem e dispõem essas meditações, porém, do que aqui se trata, é passar ao estado de perfeição, que é o da contemplação, para o qual não só não servem esses exercícios e meios, antes estorvam pela força que deixam, para que Deus por si só obre na alma como for servido e assim, é necessário desembaraçar e esvaziar a alma de todos os actos e operações destas potências, para que perdidos os naturais, infunda Deus na alma em seu lugar os sobrenaturais, porque os naturais, que são os da capacidade da alma, não só não podem chegar a tanta alteza, senão totalmente estorvam se de todo senão deixam, porque como a alma conhece a imensidade de Deus, mais pelo que não é, que pelo que é, e mais pelo que dele não sabe, que pelo que sabe, para o achar é necessário negar, e não admitir coisa alguma de suas operações assim naturais, como sobrenaturais.

E para que não pareça dificultoso e ainda impossível desembaraçar-se a alma de todo o eu natural, se advirta que não dissemos que por sua própria força o há-de fazer naturalmente, senão que é obra sobrenatural e divina mas para que Deus a faça, também a alma se há-de dispor, e fazer o que puder com a ajuda do Senhor, e assim quando a alma vai entrando nesse desembaraço e negação logo Deus lhe vai dando parte da sua divina união, e vai obrando nela, não fazendo a alma mais que receber até que de todo a põem em estado de perfeição.

CAPÍTULO I

Da união e semelhança que a alma tem com Deus

É coisa certa que em todas as criaturas assiste Deus substancialmente e as está conservando, e dando-lhe o ser que tem, e no instante que a elas faltasse deixariam de ser. Além desta assistência também Deus tem outra com as racionais, que é por semelhança, por transformação e amor, e tanta será a união, quanta for a semelhança, e então será perfeita quando a vontade humana e a divina estiverem de todo conformes e semelhantes, não havendo em nenhuma coisa que possa repugnar a outra, de modo que quando uma alma tira de si tudo o que repugna à divina, então fica transformada e unida perfeitamente por amor com Deus.
E como em nenhuma criatura, nem em todas juntas, com em suas habilidades e acções possa haver coisa que chegue ao que Deus é: daqui vem que o que se quiser unir com ele, que de todas estas criaturas, e habilidades suas e acções, se há-de desembaraçar e privar, a saber do cheirar, do gosto, do imaginar, do entender, da lembrança e amor, porque tirando de si tudo o em que é dessemelhante a Deus, possa receber sua divina semelhança, não lhe ficando coisa que não seja à vontade de Deus, para que assim, possa o mesmo Deus transformar nela por graça, e por amor. Deste modo, nem está Deus em todas as almas, nem se comunica a todas igualmente, e àquelas que se comunica mais, que estão mais unidas e conformes com sua divina vontade e, com aquela estará totalmente unido, que de todo estiver com ele conforme donde se vê, que para Deus transformar uma alma em si, há-de estar despida e desembaraçada de todas as contrariedades, e semelhanças naturais, e estar perfeitamente semelhante a Deus sem ter em si mistura de imperfeição alguma. É o renascer nesta vida em espírito Santo, de que fala Cristo N. S.
  (... continua) 
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