Homepage
Spiritus Site
Início A Fundação Contactos Mapa do Site
Introdução
Arte
Biografias
Agenda
Notícias
Loja
Directório
Pesquisa
Marco Histórico §
Guia de Sânscrito
NEW: English Texts
Religião e Filosofia
Saúde
Literatura Espiritual
Meditação
Arte
Vários temas
Mosteiro Budista
As personagens mais marcantes da história da humanidade reconhecem-se, pela sua criatividade interior, que impressiona e serve como farol aos que neles encontram o ideal espiritual.

pág. 1 de 4
Os Poetas - Santos da Índia

de Utpal K. Banerjee

em 11 Jan 2012

  A síntese evocativa e poderosa da poesia, da música, da dança e da religião como exemplificada pelo movimento único de Bhakti (devoção), na Índia medieval é um desses momentos que surgem raramente na história de uma nação. Os poetas-santos eminentes, que deram um credo novo e acessível ao povo indiano em contacto íntimo com os ritmos da sua vida, eram instrumentais na transformação do conceito tradicional de religião, substituindo-o com o conceito do Bhakti, como a essência da fé e o caminho verdadeiro para Deus.

KabirNo processo, eles também conseguiram inundar a literatura indiana com canções, poemas e composições musicais escritos na linguagem do homem comum, com simplicidade e franqueza na sua mensagem. Ao mesmo tempo tinham um nível de complexidade que ia muito além.
Não se limitando aos assuntos filosóficos e espirituais, os poetas-santos lutaram contra a ortodoxia formal, as práticas rituais e a profissão de sacerdote. Eles condenaram a falsidade e o fanatismo e pregaram que todos tinham acesso ao Nirvāna (salvação). Isto tinha uma implicação claramente social – visto que Deus pertence ao credo de amor, e as suas criações não tinham nenhuma outra origem. Uma vez que o Ātman (alma) se reúne com o Pāramātman (o Ser Supremo), o aspirante é unido com Deus “como a água se mistura com o leite, a água se funde com a água, o sal se dissolve na água; sem qualquer dualidade” (Dadu, século XVI). Nos séculos XV e XVI, Kabir (§) dizia o mesmo: “Jal mein kumbb, kumbb mein jal hai, Bahar bhitar pani” (O cântaro está na água, há água no cântaro; a água está em toda a parte).
Assim, a ideia central do Bhakti era a crença de que se pode unir com Deus através do amor e devoção não condicionais. O amor tinha sido desde muito tempo uma metáfora para a experiência espiritual e religiosa da Índia. O Yajur Veda diz, “Que todos os seres me vejam como os olhos de um amigo! Que eu vejo todos os seres como os olhos de amigo!”. Um trecho no antigo Brihadaranyaka Upaniṣad semelhantemente compara a consecução de esclarecimento com a experiência de “uma pessoa no abraço de uma Alma inteligente, que não sabe nada dentro ou fora; o seu desejo está saciado”.

Historicamente, o movimento devocional foi causado sob a influência do Budismo e Jainismo, os quais deram ímpeto ao hinduísmo para o processo que se pode designar como auto purificação. Dentro da tradição hindu, um sentimento forte de protestantismo tem sido sempre activo resistindo contra o sacerdócio e rituais, advogando a necessidade de voltar para a origem sem rituais. A tendência devocional espalhou-se por toda a parte da Índia e penetrou todos os modos de viver para efectuar as rectificações que desde há muito precisavam. Entre estas rectificações encontrou-se o sistema de casta, e um membro da casta mais baixa tornava-se muitas vezes no preceptor muito venerado da casta mais alta. Consequentemente, os mais importantes textos religiosos ficaram disponíveis ao povo comum numa linguagem e dicção que podiam ser assimilados facilmente. Além disso tudo, o movimento criou uma das mais ricas tradições da poesia hínica e composição musical do mundo. Esta tradição, por sua vez, influenciou a maioria das artes visuais e representantes.
O movimento devocional floresceu primeiro no sul da Índia. No século VII uma tradição formou-se de Azhvars (poetas vishnuitas) que incluíram, entre os seus doze poetas principais um rei, um lavrador, um membro da classe oprimida, uma pessoa pertencendo à tribo do suposto criminoso e a poetisa Andal que foi considerada como Meera sulindiana. Prabandham, a compilação das suas canções, consiste em 4.000 versos que ainda são cantados por milhões em grupos corais. Uma outra tradição que cresceu em torno do século IX, X era a de Thevaram, o ciclo de canções contributo dos santos shivaitas como Nayanar, Appar, Uniya Vacchar, Thirugyan Sammandar e Sundarāmurthy. Os contos e as lendas dos poetas Thevaram ainda existem nas pinturas, no recinto interno do templo de Brihadeshwara. Também existem ainda as canções de Andal. Ainda se canta a Tiruppavai impregnada do misticismo nupcial no templo de Srivillapur no mês de Margasirsa (de 15 de Dezembro a 15 de Janeiro). O movimento reformador Shivaita de Basava no século XII deu no surto de uma grande tradição lírico - filosófica em Karnataka.
  (... continua) 
topo
questões ao autor sugerir imprimir pesquisa
 
 
Flor de Lótus
Copyright © 2004-2017, Fundação Maitreya ® Todos os direitos reservados.
Consulte os Termos de Utilização do Spiritus Site ®