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Samma Samādhi – Desapego dentro da prática

de Ajahn Chah

em 10 Fev 2011

  Observemos o exemplo do Buddha. Ele era exemplar quer na sua própria prática quer nos métodos que usou para ensinar os discípulos. O Buddha ensinou as bases da prática como métodos úteis para nos livrarmos do orgulho. Ele não podia praticar por nós, e tendo escutado tais ensinamentos devemos agora continuar a praticar e a ensinar a nós próprios. Só desta forma surgirão os resultados, e não por apenas escutarmos o ensinamento.O ensinamento do Buddha pode apenas dar-nos uma compreensão inicial do Dhamma, mas não pode fazer com que o Dhamma fique nos nossos corações. E porque não? Porque ainda não praticámos, ainda não ensinámos a nós próprios. O Dhamma emerge com a prática. Se o souberem é através da prática. Se duvidarem do Dhamma, duvidam da prática.Os ensinamentos dos mestres podem ser verdade, mas somente ouvir o Dhamma não é por si só suficiente para sermos capazes de o realizar capaz de o realizar. O ensinamento apenas nos dá a direcção a tomar.

Para realizar o Dhamma temos de agarrar no ensinamento e trazê-lo para os nossos corações. A parte que é para o corpo, aplicamos ao corpo, a parte que é para a fala aplicamos à fala e a parte que é para a mente aplicamos à mente. Isto significa que depois de ouvirmos o ensinamento devemos ensinar a nós próprios a reconhecer o Dhamma como tal.

O Buddha (§) disse que aqueles que simplesmente acreditam nos outros não são verdadeiramente sábios. Uma pessoa sábia pratica até se tornar um com o Dhamma, até ter confiança em si próprio, independentemente dos outros.
Numa dada ocasião, quando o Venerável Sariputta se encontrava sentado aos pés do Buddha, escutando-o respeitosamente enquanto este proclamava o Dhamma, o Buddha virou-se para ele e perguntou-lhe” Sariputta, acreditas neste ensinamento?’ ao que o Venerável Sariputta respondeu “Não,( eu) não acredito neste ensinamento”.
Ora, esta é uma boa ilustração: o Venerável Sariputta ouviu e registou e quando disse que ainda não acreditava não estava a ser insolente, disse a verdade. Ele apenas considerou aquele ensinamento, mas por ainda não ter desenvolvido a sua própria compreensão daquele, disse ao Buddha que ainda não acreditava no ensinamento pois essa era a verdade. Estas palavras quase ressoam como se o Venerável Sariputta estivesse a ser rude, mas na verdade não estava. Ele disse a verdade e o Buddha elogiou-o por isso: “Muito bem, muito bem, Sariputta. Uma pessoa sábia não acredita de imediato, ela deveria primeiro investigar para acreditar”.

A convicção numa crença pode tomar várias formas. Uma dessas formas está de acordo com o Dhamma, enquanto as restantes, não, sendo estas irresponsáveis; é a crença cega dos tolos, o entendimento incorrecto, micchādițțhi, compreensão incorrecta. Aqui não damos ouvidos a mais ninguém.
Tomemos o exemplo do Brahmin Dighanakkha. Ele acreditava apenas nele próprio e em mais ninguém. A dada altura, quando o Buddha estava a descansar em Rajagaha, Dighanakkha foi ouvir os seus ensinamentos, ou podemos dizer que Dighanakkha foi ensinar o Buddha pois ele tencionava expor os seus próprios pontos de vista…
“Eu sou da opinião de que nada me apraz, nada me preenche”.
Isto era a sua opinião. O Buddha ouviu e depois respondeu: “Brahmin, esta sua opinião também não o preenche”.
Quando o Buddha respondeu desta forma Dighankka ficou estupefacto, não sabia o que dizer. O Buddha explicou de muitas maneira até o Brahmin compreender. Ele parou para reflectir e percebeu…”Uhmm, esta minha percepção não está certa”.

Ao ouvir a resposta do Buddha o Brahmin abandonou as suas opiniões presunçosas e de imediato realizou a verdade. Ele transformou-se naquele exacto momento, dando meia volta, tal como alguém com a palma da mão virada para baixo, a vira para cima. Louvou o ensinamento do Buddha da seguinte forma:
“Ao ouvir os ensinamentos do Abençoado, a minha mente foi iluminada, como alguém que vive na escuridão e se apercebe da luz. É como se a minha mente fosse um cálice invertido que foi virado para cima, tal como quando um homem que, tendo estado perdido, encontra o seu caminho”.
Nessa altura um certo conhecimento surgiu de dentro da sua mente, de dentro dessa mente que foi correctamente colocada na sua posição vertical. A percepção incorrecta desvaneceu-se e a correcta tomou o seu lugar. A escuridão desapareceu e a luz surgiu.
O Buddha declarou que o Brahmin Dighanakkha foi alguém que abriu o “Olho do Dhamma”. No princípio Dighanakkha estava agarrado às suas próprias opiniões e não tinha intenção de as mudar. Mas quando ouviu o ensinamento do Buddha a sua mente viu a verdade, viu que agarrar-se àquelas percepções era incorrecto.

Quando o correcto entendimento surgiu, foi capaz de discernir o seu entendimento prévio como erróneo, daí comparar a sua experiência com uma pessoa que vivia no escuro e que encontrou a luz. É assim que as coisas são. Naquele momento o Brahmin Dighanakkha transcendeu a sua compreensão incorrecta.
  (... continua) 


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