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Apresentação do projecto de criação do Mosteiro Budista Theravada da Tradição da Floresta da Tailândia em Portugal.

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A Marcha dos Tempos

de Arthur Shaker

em 25 Dez 2012

  Os ensinamentos do Buddha corroboram a ideia de que o Cosmos, ou a humanidade, segue um processo evolutivo crescente, como propõem as concepções evolucionistas do progresso ascendente? Na base das ideologias seculares contemporâneas, há uma visão progressista, que alimenta muito das crenças do homem actual, de que caminhamos quase que espontaneamente para o alto, em direcção ao paraíso na terra, se as desmesuras da excessiva ganância humana não atrapalharem o “plano natural” do Universo. Um futuro de confortos e domínios. Mas vejamos o que está dito no sutta 26 do Digha Nikaya (1), o Compêndio dos Suttas Longos, um dos cinco Nikayas que compõem o Sutta Pitaka, que junto ao Vinaya Pitaka (Compêndio das regras monásticas) e o Abhidhamma Pitaka (Compêndio das estruturações conceituais), compõem o Tipitaka do Cânone Theravada.

A Marcha dos Tempos
nos ensinamentos do Buddha (§)


Cakkavati – Sihanada Sutta: O Rugir do Leão no Girar a Roda

1. “ASSIM EU OUVI. Certa vez, o Abençoado estava entre os Magadhans em Matula. Então ele disse: ‘Monges!’ ‘Abençoado’, eles responderam, e o Abençoado disse: ‘Monges, sejam ilhas para vocês mesmos, sejam um refúgio para vocês mesmos, sem outro refúgio. Que o Dhamma seja seu refúgio, que o Dhamma seja seu refúgio, sem outro refúgio. E como um monge habita como um refúgio dentro de si mesmo, como um refúgio dentro de si mesmo sem outro refúgio, como o Dhamma como seu refúgio, sem outro refúgio? Aqui, um monge permanece contemplando o corpo como corpo, ardente, consciente e plenamente atento, tendo abandonado a cobiça e o pesar pelo mundo, ele permanece contemplando as sensações como sensações, ele permanece contemplando a mente como a mente...ele permanece contemplando os dhammas como dhammas, ardente, claramente consciente e plenamente atento, tendo posto de lado o desejo e o apego pelo mundo. Mantenham-se em suas próprias protecções, em seus domínios ancestrais. Se fizerem isto, então Mara não encontrará onde se alojar, não encontrará suporte. É apenas pela construção de estados saudáveis que esse mérito aumenta’.

2. ‘Certa vez, monges, havia um monarca girador-da-roda, chamado Dalhanemi, um justo monarca da lei, conquistador das quatro direcções, que havia estabelecido a segurança de seu reino e que era possuidor dos sete tesouros. São eles: o Tesouro da Roda, o Tesouro de Elefante, o Tesouro de Cavalo, o Tesouro de Jóia, o Tesouro de Mulher, o Tesouro de Chefe de família, e o sétimo, o Tesouro de Conselheiro (2). Ele possui mais de mil filhos que são heróis, de estatura heróica, conquistadores dos exércitos hostis. Ele habita tendo conquistado as terras, rodeadas pelo mar, sem o uso do bastão ou da espada, mas pela lei’.
No Digha Nikaya 3, 1.5, Buddha explica ao brâmane Ambatha que se ele, o Buddha tivesse escolhido seguir o caminho da vida de chefe de família, ele se tornaria o monarca justo-que-gira-a Roda, e com isso teria todos os domínios, tal qual referido neste sutta. E se escolhesse abandonar a vida de chefe de família e seguir o caminho dos sem-lar, então ele se tornaria um Arahant, um plenamente iluminado Buddha, aquele que retira o véu (da ignorância) sobre o mundo.
A figura do monarca justo-que-gira-a-Roda refere-se ao Chakravartin, o arquétipo-modelo do Rei justo. Como função real, se situa abaixo do poder espiritual, o lugar dos Buddhas. Por isso, Buddha renuncia ao lugar do Monarca Universal, para se tornar o Plenamente Iluminado (3).

3. ‘E, após muitas centenas e milhares de anos, o Rei Dalhanemi disse à certa pessoa: “Meu bom homem, sempre que você ver que o sagrado Tesouro-da-Roda tiver se deslizado de sua posição, me notifique”. “Sim, senhor”, ele respondeu. E após muitas centenas e milhares de anos o homem viu que o sagrado Tesouro-da-Roda havia se deslizado de sua posição. Vendo isto, ele notificou o fato ao Rei. Então o Rei Dalhanemi dirigiu-se ao seu filho mais velho, o príncipe herdeiro, e disse: “Meu filho, o sagrado Tesouro-da-Roda deslizou de sua posição. E ouvi dizer que quando isto acontecesse ao monarca-que-gira-a-Roda, ele não teria muito mais o que viver. Eu já tive preenchido os prazeres humanos, agora é hora de buscar os prazeres celestes. Você, meu filho, tome conta dessas terras rodeadas pelo oceano. Cortarei meus cabelos e barba, vestirei mantos amarelos, e seguirei da vida familiar para vida sem lar”. E, tendo coroado seu filho mais velho na devida forma de rei, o Rei Dalhanemi cortou seus cabelos e barba, vestiu mantos amarelos, e seguiu da vida familiar para vida sem lar. E, sete dias após o sábio rei ter seguido para esse caminho, o sagrado Tesouro-da-Roda desapareceu’.
‘Então um certo homem veio ao consagrado Rei Khattiya e disse: “Senhor, você precisa saber que o sagrado Tesouro-da-Roda desapareceu”.
  (... continua) 


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