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Mosteiro Budista
Apresentação do projecto de criação do Mosteiro Budista Theravada da Tradição da Floresta da Tailândia em Portugal.

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Uma conversa com amigos

de Ajahn Sumedho

em 27 Fev 2016

  Fiquei surpreso com a fama que ele ganhou, porque vivia numa parte da Tailândia bastante remota e pouco atractiva, e era mesmo só a forma como ensinava e o efeito que causava, quer nos tailandeses, quer nos ocidentais, que o tornou tão conhecido. Foi por causa dos ocidentais e das dificuldades criadas por não falarem tailandês, num mosteiro onde só havia monges tailandeses, que Ajahn Chah teve a ideia de criar Wat Pah Nanachat, como um lugar especial para treinar ocidentais. Como eu era o monge mais sénior, seria o monge principal. Ao princípio não sabia muito como fazer, mas, porque tinha decidido que iria ajudar, determinei-me a fazê-lo e resultou. Wat Pah Nanachat é hoje em dia muito bem considerado na Tailândia, e para lá vão ocidentais de todo o mundo, para receber treino. Esta era uma visão das coisas muito típica dele. Ajahn Chah ensinou o propósito e o significado da vida monástica. Foi através dele que consegui ver a vida monástica na sua totalidade: a vida em consciência e em contentamento, a ênfase na comunidade - Sangha - e na entreajuda. Isto era uma grande parte da prática, tal como não ter bomba de água, para ter que depender da ajuda dos outros, sempre que tínhamos de tirar água do poço. E tal foi uma grande revelação para mim, porque tinha sido educado de forma oposta – ser independente e não ter de incomodar alguém só para poder ter um pouco de água. Era assim que eu pensava em termos culturais. Gostava da comodidade de “quando precisar de água, posso ir buscá-la, sem ter de incomodar ninguém”, mas esta sua atitude era para se ser muito interdependente.

Uma conversa com Jack Cornfield e amigos
Do livro: The Weel of Truth, Vol.5 da Antologia de Ajahn Sumedho

Wes Nisker: Pensei que poderíamos começar com algumas recordações. Talvez começando por lembrar quando, há uns trinta ou quarenta anos, conheceu Ajahn Chah. Nessa altura apercebeu-se de algum indício de que viria a tornar-se um professor, e pensa que Ajahn Chah teria alguma ideia – depois de lá ter ficado muitos anos, é evidente – de estar à procura de pessoas como o senhor; se ele teria um plano para o futuro? O senhor foi o primeiro que foi para lá, não é verdade?

Ajahn Sumedho: Sim
WN: E quanto tempo?: Estive três anos antes do Jack chegar. Conheci-o depois do primeiro Vāssa com Luang Por Chah, logo após se ter manifestado o desejo de ir para a floresta praticar. Estava, então, a viver na montanha Phu Phek - em termos tailandeses chama-se “montanha”, mas na verdade é só um lugar bastante alto perto da cidade de Sakon Nakorn – e estava lá há cerca de seis meses quando o Jack me veio visitar. Foi assim que o conheci.

Jack Kornfield: Eu tinha ido para a Tailândia com o Corpo de Paz, porque queria visitar um mosteiro budista. Estava a trabalhar com uma equipa de medicina de saúde rural, quando, um dia, alguém me disse que sabia que um monge ocidental estava a viver no cimo de um monte perto de umas ruínas de um templo cambojano. Fiquei muito entusiasmado e disse “Temos de ir”. Arranjámos um jipe e dirigimo-nos para lá. Foi uma grande viagem a subir – 2.000 pés de inclinação que Ajahn Sumedho subia e descia a pé diariamente só para receber a oferta da refeição. Penso que lá também residia um monge cambojano.
AS: Era um monge tailandês.

JK: Sim, um monge tailandês. Eu já contei esta história antes: Ajahn Sumedho estava sentado na soleira da sua cabaninha de madeira, rodeado de abelhas. Perguntei:” O que se passa com as abelhas?”, ao que me replicou: “O que se passa é que me mudei para esta cabana onde existia uma colmeia. Ao princípio queria ver-me livre das abelhas, porque receava ser picado por elas, mas depois pensei que estavam cá antes de eu chegar, que também esta era a cabana delas – e só usam a parte superior da mesma – e eu sou um monge budista. Decidi, então, ficar em paz com elas.” E eu pensei:” “Que pessoa rara!” Senti-me imediatamente conquistado – “Ora bem, aqui está alguém que pratica de verdade.” E a seguir senti-me profundamente inspirado por me ter dito que tinha acabado de vir do mosteiro da floresta do tal professor, Ajahn Chah, que nem sequer o tinha tratado de forma especial – era a forma como tratava muitos ocidentais – mas que não só era um treino muito bom, como o quão formidável era Ajahn Chah.
AS: E penso que me veio visitar várias vezes, enquanto lá estive. Tinha esquecido completamente o incidente das abelhas, até que li a sua introdução daquele livro Teachings of a Buddhist Monk (Ensinamentos de um Monge Budista). Lembrei-me então que estava a aprender a viver com as abelhas – gostam do doce e do salgado da pele e por isso ficam a zunir à volta do corpo.
WN: Apercebeu-se de que poderia algum dia vir a ensinar esta prática?
AS: Não. Naquela altura nunca pensaria que pudesse haver algum ocidental interessado nisso! Tentei encontrar pessoas que partilhassem os meus interesses, quando estava na Faculdade de Berkeley e mais tarde no Corpo de Paz, mas ninguém se mostrou minimamente interessado no Budismo.

WN: Onde estava no Corpo de Paz?
AS: Em Sabah, no norte de Bornéu, durante dois anos.
WN: Praticamente não existe Budismo em Bornéu.
AS: Pois não. Por isso é que quando fui à Tailândia fiquei tão impressionado, porque até então o meu interesse estava no Budismo Zen (§): Alan Watts e D.T. Suzuki e outras pessoas assim.
  (... continua) 


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