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Filhas e Filhos

de Ajahn Jayasaro

em 19 Abr 2021

  (...anterior) Ele está a quebrar uma regra do Vinaya ao fazê-lo e não precisamos de recear que seja mau kamma não lhe dar nada. Pelo contrário, seria um desmérito dar-lhe, porque estaríamos a apoiar a acção desprovida de ética do monge e a minar o sangha. Façam oferendas apropriadas – quanto custaram não é um indicador do mérito – e dêem de tal forma, que consigam sentir alegria antes, durante e depois do acto. Poucas coisas fortalecem tanto o sentido de conexão entre os membros da família como actos colectivos de generosidade.

Para além disso, podemos dar o exemplo aos nossos pais levando uma vida simples, não gastando dinheiro extravagantemente e não sendo demasiado fascinados por coisas materiais. Ao recordar os nossos pais desta forma (definitivamente não a pregar-lhes), talvez eles venham a ponderar a sua própria atitude para com as coisas materiais. Podemos colocar um espelho à sua frente para se puderem ver a si mesmos, e ao fazê-lo prestamos-lhes um serviço, porque ser-se livre da obsessão pelas coisas materiais é outro sentido da palavra chaga. Há pais que vêem um modelo novo e todo porreiro de um carro e ficam excitados como um adolescente, enquanto algumas mães (§) vêem um vestido novo da moda e gritam como uma adolescente. Sob a influência de súbitos desejos febris por bens de consumo, é bastante normal hoje em dia as pessoas de meia-idade agirem de formas que os sábios velhos do passado teriam considerado imaturas. O facto de sabermos quando parar, de conhecermos a medida certa, pode relembrar os nossos pais.

Noutras questões, depende da personalidade dos nossos pais. Se eles de vez em quando vão a um mosteiro e estão interessados no Dhamma, talvez venha a ser relativamente fácil para nós falarmos com eles sobre assuntos importantes uma vez por outra. Mas se eles não estão interessados no Dhamma, se ainda se encontram de boa saúde e nunca se permitiram pensar sobre a inevitabilidade da morte, então talvez fiquem na defensiva. Quem trata a sua kilesa como algo precioso, como algo que acrescenta sabor à vida, sentirá que o Dhamma é invasivo e vai tentar evitá-lo ou rejeitá-lo. Se é este o caso, temos de aceitar e respeitar o direito deles. Não os macem ou oprimam. O Dhamma não é algo que se possa impor a alguém, mesmo que com boa intenção. Se os nossos pais rejeitarem o Dhamma, então por enquanto temos de deixar assim, felizes e dispostos a partilhar o que conseguirmos com eles se e quando eles mudarem de ideias.

Quanto aos pais que estão interessados no Dhamma, podemos levá-los a um mosteiro para eles poderem gerar mérito, ouvir o Dhamma e meditar num sítio tranquilo. Se eles ainda tiverem crenças supersticiosas a respeito de medalhões, magia negra, leitura da sina, médiuns, feiticeiros, etc., então falem com eles sobre isso se possível. Contudo, devemos falar-lhes numa altura e num local apropriados, sem os fazer sentir que achamos que sabemos algo que eles não sabem, ou que nós somos espertos e eles são tolos. Encorajem-nos a praticar regularmente: chi gong é uma boa opção, visto que é uma forma de meditação em si mesmo. Procurem bons livros de Dhamma para eles lerem ou dêem-lhes palestras de Dhamma para ouvir. Falem com eles sobre nascimento, envelhecimento, doença e morte de uma forma natural, permitindo-lhes verem que não se trata de conversas pouco auspiciosas para se ter. A fé e a sabedoria provêm de ter a coragem para confrontar as verdades da vida. Não é que possamos escapar a essas verdades simplesmente ignorando-as.

Porém, também é importante compreender que o Buda não ensinou que ser um bom filho ou filha significa que devemos fazer tudo o que os nossos pais nos dizem ou pedem para fazer. Recusar fazer o que eles querem nem sempre é mau. Porquê? Porque há pais que dizem ou pedem aos filhos para fazer coisas que não são apropriadas. Não está errado recusar aos pais que nos pedem para fazer algo ilegal ou ganhar vícios como beber ou jogar. As nossas obrigações boon khoon não se restringem aos nossos pais. Também somos filhos do Buda, e a sua bondade é ainda maior do que a dos nossos pais.
  (... continua) 
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