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Mosteiro Budista
As viagens, quando empreendidas com o sentido de peregrinação contribuem para a elevação de Consciência, e o seu efeito espiritual começa, a partir dos primeiros passos, até ao local, ao objectivo.

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A Montanha Celestial

de Prakash Israni

em 01 Out 2009

  No seio do alto Himālaya o Adi Kailash ou Chhota Kailash, como é conhecido juntamente com o Parvati Sarovar (lago da Parvati), são considerados a terra do deus Śiva e sua cônjuge, Parvati. É um sítio tão sagrado como o Kailash Mansorovar. Enquanto se tem de contornar às rígidas regulações para visitar o Kailash Mansarovar, situado no Tibete, pode-se visitar Adi Kailash e Parvati Sarovar sem muitos problemas, mas apenas por pessoas habituadas a fazer passeios duros nas montanhas. Situado no distrito de Pithoragarh no estado indiano de Uttaranchal, na fronteira com o Nepal e a China, é acessível apenas depois dum caminho a pé de 146 quilómetros.


Garbadhar é o último lugar onde há uma estrada para carros e o passeio começa aqui. A próxima paragem é Lakhanpur, a seis quilómetros de distância. O caminho passa por alguns desfiladeiros à beira do rio Kali, que é a linha divisória entre a Índia e o Nepal. Éramos um grupo de 15 apaixonados das montanhas, vindos de Delhi, com muita experiência em fazer caminhadas, entre as idades de 27 e 60 anos. Em Dharchula, no percurso, pode-se atravessar a ponte sobre o rio Kali para entrar no Nepal.
Foi na primeira semana de Setembro e todo o caminho do nosso passeio estava verdejante e cheio de cataratas. A nossa paragem seguinte foi em Malpa, que é um testemunho mudo à tragédia de 1998 de Kailash Mansorovar onde muitos peregrinos morreram numa avalancha. Ergueu-se um templo aqui em sua memória.

Para atingir o nosso próximo acampamento em Buddhi, tínhamos de caminhar mais dez quilómetros de trilho difícil. Quando finalmente chegámos, estávamos tão cansados que nem reparámos na beleza espectacular da aldeia de Buddhi, parecia um postal! Aqui tem de se ver as cores do campo em pessoa para acreditar na cena! Laranja, vermelho, roxo e cor-de-rosa, havia um arco-íris de cores em todas as direcções. Daí, tem de se fazer 3 quilómetros que são quase verticais. Na subida, há duas torres para descansar e apreciar a linda vista panorâmica da aldeia de Buddhi lá em baixo, o vale e parte do desfiladeiro e o caminho que fizemos. Parecíamos um ponto pequeno na tela da natureza. Foi maravilhoso, estávamos nas nuvens.

Logo depois, saímos duma paisagem que parecia um túnel para ver o vale de Chhiyalekh. Esse panorama inesperado do vale aberto, situado a 3350 metros é uma vista fantástica. O vale é tão famoso como o “Vale das Flores” no distrito de Chamoli em Uttaranchal. Embora não houvesse muitas flores nessa época do ano, os campos eram verdejantes e suaves como um tapete a dar-nos um grande bem-vindo. Ainda tínhamos de caminhar 14 quilómetros até ao nosso próximo acampamento. Esse percurso foi relativamente fácil, mas cansativo. O rio Kali ainda nos fez companhia. Depois de alguns quilómetros vimos a confluência do rio Kali com o rio Kutti. Agora o nosso caminho ia seguir o rio Kutti. Um passeio de mais alguns quilómetros trouxe-nos à ponte sobre o rio Kutti para alcançar a aldeia de Gunji, a uma altura de 3200 metros. Acampámos lá durante essa noite.

Na manhã seguinte levantámo-nos serenamente, porque tínhamos decidido fazer apenas 10 ou 11 quilómetros devido à alta atitude. Os primeiros raios do sol nascente iluminaram as montanhas Annapurna no Nepal e capturámos as imagens com as nossas máquinas fotográficas. Às 9h da manhã, partimos de Gunji para a próxima etapa. Depois de atravessar algumas aldeias numa paisagem deslumbrante, chegámos à linda aldeia de Kutti com uma enorme montanha no fundo e grandes campos de feijão em terraços. A luz do sol aqui era espantosa. A lenda diz que Kunti, a mãe (§) dos cinco Pandavas da grande epopeia Mahābhārata, viveu aqui. Havia ruínas de alguns abrigos no pequeno outeiro rodeado por campos coloridos que se dizia serem dos Pandavas. A aldeia parecia muito antiga e as esculturas nas janelas e portas de madeira eram vestígios duma outra época.

As pessoas nessa região são muito amigáveis e orgulhosas da sua cultura e dos seus animais. Decoram os seus cavalos duma maneira singular, quase como se fossem noivas. Esses povos são conhecidos como os Bhotis. Daí, uma íngreme subida de um quilómetro trouxe-nos a um riacho serrano a uma altitude de 4300 metros. Acampámos lá a noite sabendo bem que o nosso destino, Adi Kailash, estava muito perto.

Finalmente o grande dia chegou! Estávamos todos muito entusiasmados e levantámo-nos mais cedo do que o habitualmente. O trilho pela frente era árido, cheio de rochas mas cheio de promessas também. O céu azul com as suas nuvens aliciava-nos. Porque havia pouco oxigénio no ar, cada passo foi um grande esforço.
  (... continua) 
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