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Mosteiro Budista
As personagens mais marcantes da história da humanidade reconhecem-se, pela sua criatividade interior, que impressiona e serve como farol aos que neles encontram o ideal espiritual.

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Ajahn Chah

de Bhikkhu Appamado

em 16 Mai 2011

  Ajahn Chah nasceu a 17 de Junho de 1918, numa vila rural situada perto da cidade de Ubon Rajathani, no nordeste da Tailândia. Viveu a primeira parte da sua vida como qualquer outro rapaz na ‘Tailândia rural’ da época, no seio de uma grande e agradável família. Seguindo a tradição, depois de completar o ensino básico ordenou-se como monge noviço, no mosteiro local da vila. Três anos depois voltou para casa dos seus pais, para ajudar com os trabalhos da quinta, mas sentindo uma atracção pela vida monástica, aos vinte anos decidiu ir de novo para o mosteiro e ordenar-se como bhikkhu.

Passou os primeiros anos da sua vida de bhikkhu a estudar as bases do Dhamma, o Vināya (código monástico; disciplina), a linguagem Pāli e as escrituras. No seu quinto ano de monge, o seu pai ficou seriamente doente e faleceu. Este brutal acontecimento tornou evidente, para Ajahn Chah, a fragilidade e a precariedade da vida humana; fê-lo reflectir profundamente acerca do verdadeiro propósito da vida, pois apesar de ter estudado exaustivamente ele não se sentia mais próximo de ter uma compreensão pessoal acerca do fim do sofrimento. Com tudo isto, à medida que se dedica à tradução de comentários do Dhammapada (§), apercebe-se da disparidade entre a sua vida e a dos monges da época do Buddha (§), na qual eles vagueavam nas florestas «solitários, impetuosos e determinados»; e ele ali estava, agarrado aos livros na sala de estudo do mosteiro. Um sentimento de desapontamento apossou-se dele e emergiu o desejo de descobrir a verdadeira essência do Budismo. Finalmente, em 1946, abandonou os estudos e partiu em peregrinação.

Caminhou durante vários anos pernoitando em florestas e recebendo comida nas vilas pelas quais passava no seu caminho, despendendo temporadas em mosteiros, assimilando os ensinamentos e praticando meditação. Foi durante a estadia no mosteiro de Wat Kow Wongkot que, pela primeira vez, ouviu falar de Ajahn Mun, um Mestre de Meditação altamente reverenciado. Um leigo informa-o onde este se encontra e Ajahn Chah, entusiasmado por se encontrar com um mestre realizado, parte em direcção ao Nordeste, em busca de Ajahn Mun.
Assim que entrou no mosteiro onde Ajahn Mun se encontrava, Ajahn Chah foi invadido pela atmosfera tranquila e discreta do sítio. O silêncio estava carregado de vibração.

Por esta altura Ajahn Chah debatia-se com um problema crucial. Havia estudado os ensinamentos acerca de moralidade, meditação e sabedoria, apresentados de forma precisa e detalhada, mas não conseguia compreender como é que estes poderiam ser postos em prática. Depois de prestarem os devidos respeitos Ajahn Chah expôs a sua questão ao que Ajahn Mun respondeu mencionando que, apesar dos ensinamentos serem realmente extensos, na sua essência eles são muito simples. Com consciência, se virmos que tudo surge no ‘coração-mente’…aí está o verdadeiro caminho! Este sucinto e directo ensinamento foi uma revelação para Ajahn Chah, transformando o seu modo de praticar. O caminho estava claro! Ajahn Mun aconselhou-o sobre o princípio básico dos ‘Dois Guardiões do Mundo’: hiri (um sentido de vergonha consciente) e ottapa (medo inteligente das consequências). Falou-lhe também do Caminho Óctuplo, sobre as Quatro Estradas para o Sucesso Espiritual e os Cinco Poderes Espirituais, falou sobre a forma como as coisas realmente são e sobre o caminho para a libertação. Ajahn Chah ficou em êxtase.

Mais tarde Ajahn Chah referiu que apesar de ter chegado muito cansado, após ouvir Ajahn Mun toda a fadiga desapareceu e ele sentiu-se leve, com a mente clara e tranquila.
No dia seguinte Ajahn Mun deu mais ensinamentos e Ajhan Chah estava agora esclarecido quanto à sua prática. Sentiu uma alegria e um êxtase no Dhamma como nunca antes. Um dos ensinamentos de Ajahn Mun que mais o inspirou foi o do Sikkhibhuto, ser ele próprio ‘Testemunha da Verdade’ e uma das explicações mais esclarecedoras foi a da distinção entre a mente e os estados transitórios que surgem e desaparecem dentro dela, os quais muitas vezes acreditamos serem reais, identificando-os com a própria mente.
Durante os sete anos que se seguiram Ajahn Chah praticou ao estilo austero da Tradição da Floresta, deambulando pelas florestas em busca de locais calmos e reclusos onde pudesse desenvolver a sua meditação. Viveu em selvas repletas de cobras e tigres, usando reflexões sobre a morte para penetrar o verdadeiro significado da vida.

Em 1954 foi convidado a voltar à vila onde nascera e instalou-se numa floresta dita ‘assombrada’ chamada ‘Pah Pong’.
  (... continua) 
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