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A Realização do Infinito

de Rabindranath Tagore

em 12 Jun 2013

  Na história do homem vemos em todos os lugares que o espírito de renúncia é a mais profunda realidade da alma humana. Quando a alma diz a respeito de qualquer coisa: “Eu não o quero, porque estou acima dela”, a alma está expressando a mais elevada verdade sobre si mesma. Quando a menina se torna grande demais para a sua boneca, quando percebe que em todos os aspectos é mais do que a sua boneca, ela a deixa de lado. Pelo próprio acto de possuir nós reconhecemos que somos maiores do que as coisas que possuímos. É uma total miséria ficarmos presos a coisas menores do que nós mesmos. Foi isso que Maitreyi sentiu quando seu marido lhe entregou suas propriedades na véspera de abandonar o lar. Ela perguntou: “Essas coisas materiais poderiam ajudar alguém a atingir o mais alto?” – ou, em outras palavras, “Elas são mais do que a minha alma é para mim?” Quando o marido lhe respondeu: “Elas a tornarão rica em posses mundanas”, Maitreyī disse imediatamente: “Então o que vou fazer com elas?” Apenas quando o homem de facto percebe o que são as suas posses, ele deixa de ter ilusões sobre elas. Com efeito, aí ele reconhece que a sua alma está muito acima dessas coisas, e torna-se livre da sua alma quando ultrapassa as suas posses. O progresso do homem no caminho da vida eterna passa através de uma série de renúncias.

Diz o Upanishad: “O homem se torna verdadeiro se nesta vida consegue apreender a Deus; caso contrário, sua vida se torna a maior calamidade”.

Todavia, de que natureza é esse alcançar a Deus? É evidente que o infinito não é como um objecto entre outros, um objecto que possa ser definitivamente classificado e conservado entre as nossas propriedades, ou ser usado como aliado que nos traga benefícios especiais na nossa política, nas nossas guerras, nos nossos negócios ou nas nossas competições sociais. Não podemos colocar o nosso Deus na mesma lista em que colocamos nossas casas de verão, nossos automóveis, ou nossa conta bancária, como tantas pessoas parecem desejar fazer.
Devemos procurar compreender o verdadeiro carácter do desejo que o homem sente quando a sua alma anseia por seu Deus. Consistiria esse desejo em acrescentar algo, ainda que de valor, às suas posses? De modo nenhum! Essa contínua acumulação de nossas propriedades é uma fatigante e infindável tarefa. Na realidade, quando a alma procura Deus, está procurando escapar definitivamente a esse contínuo colher e amontoar que jamais chega ao fim. Ela não está procurando um objecto a mais, e sim o nityo nityanam, o permanente em tudo aquilo que não permanece, o rasanam rasatamah, a mais alta e duradoura alegria, que unifica todas as alegrias. Por isso, quando o Upanishad nos ensina a realizar todas as coisas em Brahma, não está pedindo que procuremos algo mais ou que inventamos algo novo.

“Conheçam todas as coisas que existem no universo como envolvidas por Deus. Usufruam tudo o que é dado por ele, e não abriguem na mente a cobiça por riquezas que não vos pertencem”.
Quando perceberem que todas as coisas estão cheias com a sua presença e que tudo o que possuem é dom dele, então perceberão o infinito no finito, o doador nos dons. Aí reconhecerão que todos os factos da realidade encontram o seu verdadeiro significado na manifestação da verdade única, e que todas as suas posses só encontram o seu verdadeiro significado não em si mesmas, mas na relação que elas estabelecem com o infinito.
Não se pode dizer, portanto, que podemos encontrar Brahma da mesma forma que encontramos outros objectos. Não se trata de procurá-lo numa coisa de preferência a outra, ou num lugar em vez de qualquer outro. Não precisamos correr ao mercado para comprar nossa luz matutina; basta abrirmos os olhos e ela aí está. Da mesma forma, basta que nos entreguemos para perceber que Brahma está em todo o lugar.

Essa é a razão pela qual o Buda nos aconselhou que nos libertássemos do confinamento da vida do eu. Se não existisse nada de mais positivamente perfeito e satisfatório que pudesse ocupar o lugar do eu, tal conselho seria absolutamente sem sentido. Ninguém poderia considerar e muito menos se entusiasmar com o conselho de entregar tudo o que possui em troca de não ganhar absolutamente nada.
O nosso culto diário a Deus, portanto, não é realmente o processo em que gradualmente o adquirimos para nós, e sim o processo diário de nos entregarmos a ele, removendo todos os obstáculos à união e estendendo a consciência que dele temos na devoção e no serviço, na bondade e no amor.

Diz o Upanishad: “Percam-se inteiramente em Brahma como flecha que penetrou completamente no seu alvo”.
Assim estar consciente de ser totalmente envolvido por Brahma não é mero acto de concentração da mente. Deve ser a meta de toda da nossa vida. Em todos os nossos pensamentos e acções devemos estar conscientes do infinito. Deixemos que a realização dessa verdade se torne mais fácil em cada dia de nossa vida – a verdade de que ninguém poderia viver ou mover-se, caso a energia da alegria que tudo penetra não preenchesse o céu. Sintamos o ímpeto dessa energia infinita em todas as nossas acções e fiquemos felizes.

Poderia objectar que o infinito está além do nosso alcance, de modo que para nós é como se fosse nada.
  (... continua) 


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