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A Via da Vigilância Interior - 3ª Capítulo

de Edward Salim Michael

em 04 Nov 2013

  O corpo – a única coisa que, sabendo ou não, é um obstáculo interior para o homem, e em parte a causa da sua queda espiritual, sempre a distrair a atenção de onde deveria estar focada –contudo, pode tornar-se o veículo adequado para o auto-conhecimento, sob uma nova perspectiva, ajudando-o nos esforços de ascensão aos domínios superiores do seu ser. O aspirante pode ser bastante ajudado a manter-se mais “presente em si próprio” na vida exterior, ao cultivar pacientemente o hábito de usar os seus movimentos físicos e as variadas posturas, como um meio de alcançar um estado superior de consciência. Em vez de ser o corpo a arrastá-lo com todos os infindáveis desejos e exigências, inconscientemente, para a descida, pode ser usado como um instrumento de um pesquisador sério, para se tornar consciente de si, de uma forma completamente diferente da habitual. Esta forma particular de auto-consciência exige-lhe um esforço adicional que, se for inteligentemente repetido, com a atitude interior e abordagem correctas – i.e., sem forçar – transportá-lo-á para estados mais elevados do seu ser, levando-o eventualmente ao despertar espiritual. Até mesmo os vários incómodos, fadigas e dores podem ser usados como breves lembranças, dirigindo-lhe a atenção para o interior, para o seu acalentado ideal, despertando-o deste estranho estado de esquecimento de si, sempre que este o absorve.

O corpo e a lembrança de si próprio

É possível que o aspirante se venha a desligar de uma identificação errada com o seu corpo, desejos e necessidades e, que de uma forma subtil, possa ver os diferentes movimentos e atitudes – qualquer que seja a acção em que se envolva, seja a andar, a falar, a ler, a escrever ou a comer - através do olho da mente. Desta forma, também aprenderá a colocar distância e espaço entre ele e os objectos percepcionados do mundo exterior, evitando assim identificar-se com eles, como inevitavelmente acabaria por fazer.

Esta forma peculiar de sentir o corpo e de se tornar consciente dos seus movimentos, especialmente no princípio do trabalho interior, chamará a sua atenção para a agitação física, as irritações, os gestos desnecessários, as posturas erradas e tensões musculares, todos retirando-lhe constantemente energias – energias essenciais para os seus esforços espirituais e para a transformação. Só o facto de reparar nestas coisas, dar-lhe-á algum domínio sobre elas, permitindo-lhe começar a libertar-se. Além disso, este sentimento específico e esta particular observação do corpo, pode vir a tornar-se numa vantagem, ajudando-o rapidamente a captar e a desligar-se de toda e qualquer tensão emocional e agitação mental presentes, cuja provável origem se deve, parcialmente, a esta inquietude e às tensões físicas indesejáveis (que de outra forma seriam desconhecidas e, aumentando, se transformariam em compulsões caso ficassem sem observação).

Sempre que - especialmente no início das práticas espirituais – os pensamentos estiverem conscientemente comprometidos a sentir o corpo e a observar os vários movimentos, a mente acaba por se ocupar de forma diferente da habitual. Tal vai libertá-lo de uma considerável quantidade de divagações sem significado e impraticáveis, nas quais o ser humano perde tanto tempo da sua vida. Mais adiante, sabendo já de forma bem clara, onde se centrar, muitas destas imaginações vãs cairão por terra, por si só.
O despoletar desta sensação física e da consciência dos diversos movimentos do corpo também vêem a demonstrar intuitivamente como, de uma forma geral, ele se identifica com as sempre cambiantes exigências do seu corpo e, ao mesmo tempo, de forma paradoxal, se desliga delas de forma errada.

Pode-se ver, assim, quão pequena é a consciência que geralmente o ser humano tem do seu corpo. Talvez, sem exagero, se possa dizer, que os únicos momentos em que ele, mais ou menos, se apercebe são nas ocasiões em que a sua atenção é dirigida à força para si próprio pela exaustão, fome, sede, doença, repentinas lesões, desejos carnais, chamadas da natureza, ou pelo calor ou frio excessivo. Mesmo assim, a consciência do corpo é apenas parcial, uma vez que a sua atenção está centrada no que o incomoda, ou no que lhe exige satisfação nesse particular momento. Assim, em vez do corpo ser usado como um meio para o homem atingir objectivos mais elevados – estar “presente” em si mesmo – acaba por se tornar, numa irritação; consequentemente, acaba por gratificar os seus apelos imperativos, cega e rapidamente, para regressar ao seu habitual estado de distracção, logo que possível, ficando de novo absorvido passivamente em fantasias mentais inúteis, sonhos e até em emoções negativas.

De cada vez que se dá este inesperado movimento de interiorização e este estado raro de consciência – quer esteja inactivo, quer envolvido em acções no exterior – chamando-o de volta a si próprio da sua condição de falta de atenção e dispersão, verá como isto está intimamente ligado a um sentimento súbito e a um conhecimento subtil do seu corpo.
  (... continua) 
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