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A finalidade de “Sugestões de Leitura” é colocar em destaque obras, cujo valor espiritual merecem um olhar atento, mais profundo, em consonância com a temática da secção em que se insere.

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Aṣṭāvakra Gītā - O Cântico da Consciência Suprema

de Pedro Teixeira da Mota

em 22 Fev 2007

  «É das florestas e contrafortes dos Himālayas que provavelmente brota este Cântico de exaltação do Um, da Unidade do Eu individual e do Eu Divino, do Espírito e da Divindade, do Ātman e de Brahman que nos chega hoje às mãos, transcendendo bem o espaço e o tempo. Escrito na forma de diálogo, à boa maneira dos Upaniṣadas, entre dois conhecedores ou mestres do Espírito Supremo, o sábio Aṣṭāvakra e o rei Janaka, figuras entre o histórico e o lendário, de contornos enriquecidos por histórias e lendas que se esfumam num tempo tão mítico como é o da Índia, sempre tão aberta ao eterno».

Apresentação

A Colecção “Luz do Oriente” quer trazer aos leitores de língua portuguesa tanto textos clássicos, como ensaios ligados à tradição religiosa, filosófica e metafísica do Oriente e em especial da Índia.
A Aṣṭāvakra Gītā, a que demos o subtítulo de Cântico da Consciência Suprema, obra anónima indiana da tradição Advaita Vedānta, é um ensinamento profundo de grande força iluminadora sobre a essência do Espírito, do Homem e do Universo, comparável à Bhagavad Gītā (§), na desvendação da Consciência e do Ser Primordial.
Este clássico da literatura mística não-dual, traduzido pela primeira vez do sânscrito para o português pelo Dr. Pedro Teixeira da Mota, um conhecedor das vias de realização indianas, e em particular do Yoga (§) Vedānta e da meditação, que aliás tem compartilhado ao longo dos anos, está enriquecido pela introdução, notas, comentários, posfácio e um glossário dos vocábulos e conceitos sãoscritos mais importantes utilizados.
Numa época de síntese de conhecimentos e de redescoberta da Unidade subjacente às várias religiões e tradições espirituais, só podemos congratular-nos por passarmos a ter acesso a um texto de grande força libertadora ou salvífica, um daqueles que, segundo a expressão tradicional, quem o assimilar não provará a morte.
Que a presente obra contribua então para dissipar as trevas da ignorância, dos preconceitos e manipulações, revelando e fortalecendo a Unidade de todos os seres, povos e tradições para que surja um convivium mais justo, luminoso e universal, propício ao Conhecimento e Realização da Consciência Suprema.

Excertos do Capítulo II

1. Ah, estive este tempo todo apenas confundido pela ilusão. Eu estou acima da natureza (prakṛte)(1), puro (nirañjana), calmo (śānta), inteligência iluminada (bodha).

2. Assim como Eu, o Um, ilumino (prakāśayāmi) este corpo, assim ilumino o universo; portanto todo o universo (jagat) é meu, ou pelo contrário nada é meu...

3. Tendo renunciado ao corpo, e ao universo, Ah! imediatamente (adhunā)(2) pela habilidade (kauśalāt)(3) provinda não sei de onde, é verdadeiramente contemplado por mim (vilokyate)(4) o Supremo Espírito (Paramātmā)(5). (*)

4. Assim como as ondas, a espuma e as bolhas provêm da água e não são diferentes dela, assim o universo saído (vinirgatam)(6) do Ātman não é diverso do Ātman ou do Eu divino.

5. Assim como um pano examinado (vicāra)(7) seguramente se revela como sendo apenas fio, assim também este universo sendo investigado se revela não ser senão o Eu espiritual (Ātman).

6. Assim como no suco da cana de açúcar produzido se encontra completamente impregnado nele o melaço assim o universo produzido em Mim está impregnado ininterruptamente (nirantaram)(8) por Mim.

7. Do não conhecimento do Eu (Ātman) o mundo aparece, mas graças ao conhecimento de Si (Ātman jñānam)(9) ele desaparece, assim como do não reconhecimento de uma corda surge a serpente (ahi)(10), e do reconhecimento de tal se dá portanto o seu desaparecimento.

8. A manifestação é a minha própria forma; eu não sou diferente dela. Quando o universo se torna manifesto, então verdadeiramente só Eu resplandesço (bhāsa)(11). (*)

9. Ah! Assim como a madre-pérola parece ser prata, ou a corda uma serpente, ou a miragem da água nos raios solares, assim pela ignorância aparece imaginado (vikalpitaṃ)(12) em mim o universo.

10. Assim como uma jarra se dissolve em barro, uma onda em água, uma pulseira em ouro, assim este universo saído de Mim certamente se dissolverá em Mim.

Editado por Publicações Maitreya
   


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