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A Civilização Moderna e o seu dilema Cultural e Religioso

de Pratap Chandra Chunder

em 26 Abr 2007

  A civilização moderna é uma confusa amálgama de curiosas contradições, é uma miscelânea de lógica pungente de ciência e tecnologia por um lado, e fé cega, superstição e magia, por outro. Aqui, o laissez-faire existe lado a lado com o controlo da economia. A democracia parlamentar partilha o trono com a ditadura implacável. Algumas pessoas enaltecem os devotos da não-violência e de serviço altruísta, tais como Mahātma Gandhi, Martin Luther King (Jr.) e Madre Teresa de Calcutá, enquanto outros aplaudem Adolf Hitler, Mao Tsé-Tung, Pol Pot e seus congéneres, que cometeram genocídios atrozes.

Neste contexto os traficantes de drogas, vendedores de tabaco e os dessiminadores da SIDA loquazmente partilham os mesmos palcos com salvadores de vidas, filantropos e gurus espirituais. As bombas nucleares e as armas de destruição massiva coexistem com a penicilina e pacemakers. Os homens que alunam e investigam o espaço atraem igual atracção que aqueles que praticam astrologia e bruxaria. Este é um mundo estranho do qual a civilização moderna se gaba.
Até o significado de “civilização” é controverso. O dicionário New Collegiate da Webster´s refere-se a “civilização” com um significado de a) um nível relativamente alto de desenvolvimento cultural e tecnológico em que se atingiu a escrita e a conservação dos registos escritos, b) cultura característica de um particular momento ou lugar, c) refinamento de pensamento – espécie de gosto, e) uma situação de conforto urbano.
Assim a visão destes significados pertence a um nível instruído, uma vez que a definição é mais extensa para quem não é letrado.

Will Durant na sua obra monumental “A história da Civilização” (parte I) define civilização assim: «Civilização é a ordem social que promove a cultura. São quatro os elementos que a constituem: provisão económica, organização política, tradições morais e a persecução do conhecimento e das artes. Começa onde o caos e a insegurança acabam» (pág.17).
Will Durant elabora as sua proposições. Acrescenta, «Alguns factores condicionam as civilizações e podem encorajá-las ou impedi-las» (ibid). Ele refere-se a condições geológicas ou económicas, mas não se refere à condição racial. Ele defende, «cultura sugere agricultura, mas civilização sugere cidade». Porém é difícil aceitar que a civilização esteja confinada só à cidade. Arnold J. Toybee no seu “Estudo de História” (vol. 12, pág. 277) assinala, «existiram sociedades sem cidades que, no entanto, estiveram em processos de civilização». Dá exemplos de áreas maias e de casos egípcíos e acrescenta, «A cultura nómada, de novo, seria um caso de civilização sem cidades...» (ibid). Toynbee continua a definir civilização em termos espirituais, talvez possa ser definida como um esforço para criar um estado de sociedade na qual toda a humanidade será capaz de viver junta em harmonia, como membros de uma família inclusiva. «Este é, acredito, o fim para o qual todas as civilizações conhecidas até aqui, se movem inconscientemente, se não mesmo conscientemente» (pág. 279). Esta é sem dúvida uma abordagem ampla que é espelhada na bem conhecida estância em sãoscrito:

Ayam nija paroveti ganamā laghuchetasām /
Udāra charitānām tu vasudhaiva kutumbakam//

Nesta estância a abordagem é muito mais prática. De acordo com ela, só para as pessoas tolerantes é que o mundo é uma família, não o é para as pessoas vis.
De facto a história da humanidade é uma história de conflito perene entre forças centrífugas e forças centrípetas. Há algumas compulsões que tendem a manter a humanidade junta, enquanto que há outras que fazem por a separar. Os homens progrediram ou regrediram como resultado destas forças divergentes. O processo de descentralização destrói o processo de unificação.
Esta divergência entre tendências unificadoras e divisoras pode ser simplificada fundindo-a no conceito de unidade na diversidade. A vida da humanidade com diferentes raças, seitas e grupos sociais reflete a diversidade. Ao mesmo tempo existem compulsões na vida humana que requerem alguma forma de unidade apenas para a mera sobrevivência. Will Durant reforça a necessidade de unidade para a humanidade desta maneira:
«Tem que haver alguma unidade de linguagem para servir como meio de intercâmbio mental. Através da igreja ou da família, da escola ou de qualquer outra forma, tem de existir um código moral unificador, algumas regras do jogo da vida, conhecidas mesmo por aqueles que as violam, e dando condução a alguma ordem e regularidade, alguma direcção e estímulo.
  (... continua) 


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