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Aqui também, a criatividade na Arte do Pensamento presta homenagem ao Ser, e para além de autores já consagrados, damos espaço aos jovens valores que connosco queiram colaborar em vários temas.

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O Comboio para Haflong

de Sandeep Silas

em 11 Out 2010

  Por alguma razão, o imponente rio Brahmaputra sempre tinha conseguido frustrar as minhas tentativas de viajar de comboio na região além de Guwahati no estado indiano de Assam. As comemorações do centenário da linha ferroviária serrana entre Lumdig e Badarpur e a viagem de comboio comemorativa, assegurou-me uma visita privilegiada.


Estação Lower HaflongA terra de Bambu

“Amar sonar hurin chahi/tura jejar bolish bhai/amar sonar hurin chahi”(quero o meu veado dourado/não me importa o que dizes irmão/quero o meu veado dourado), uma composição musical de Rabindranath Tagore (§), transformou a minha imaginação nessa viagem. A melodia que celebra a insistência das crianças, agora eram duas coisas: a minha companheira e a minha tentação. Enormes espaços abertos, grandes lagos e baixas colinas, começaram a dominar a paisagem enquanto as casas de betão de Guwahati desapareceram na distância.

As antigas folhas das bananeiras estavam castanhas sob o sol de inverno. A terra castanha parecia ansiosa por receber esses soldados murchos e exaustos nos seus braços. O processo de regeneração estava em progresso. Só que, o precioso tempo estava a passar, para nunca mais voltar. Mesmo uma melodia encantadora, não podia manter esses momentos no seu abraço apaixonado. Os campos de arroz estavam verdes e cobertos de água. Estava-se a meados de Fevereiro. O arroz nunca poderia crescer até à altura dos bosques de bambu, ao lado. Todavia, os grãos que renderiam, eram destinados a serem transformados num símbolo de prosperidade e num alimento essencial para a população local. Ao contrário, o bambu, mais alto, era usualmente utilizado para suportar um tecto ou guardar as terras de uma vedação.

O som de “ Khamoh karo, O Prabhu, pathoh judi pecheye/ Pecheye kori Prabhu, klanti ama, khamoh karo Prabhu”(Deus, perdoai-me, se me desvio do caminho da justiça/ e se neste cansaço me desvio/ perdoai-me Ó Deus), uma canção de Tagore nos altifalantes do comboio interrompeu os meus pensamentos. E o comboio para Lumding continuou a avançar sobre os carris. Pelo menos uma coisa sabia o seu percurso! O brilho do sol estava a passar. Os pássaros começavam a voltar aos seus ninhos. O comboio tinha pressa. A linha ferroviária entre Guwahati e Chaparmukh foi construída em 1889 e foi expandida até Lumding em 1900. Em frente de nós há a secção serrana de Lumding-Badarpur que liga os encantadores vales de Assam, Brahmaputra e Barak, percorrendo 73 grandes pontes e 37 túneis.

A mais alta estação da linha é Jatinga, situada a 700 metros de altitude, e o comboio passa por 32 estações. O maior túnel é de 587 metros. Os estados de Manipur, Mizoran e Tipura, no nordeste da Índia, são ligados à rede ferroviária do país por via desta linha. O seu levantamento foi completado em 1887 por John Buyers, então engenheiro-mor do departamento de obras públicas. Formou-se uma empresa em Londres para a construção e os operários chegaram de lugares tão distantes como o Golfo Pérsico e o Afeganistão! Os recursos materiais vieram por uma série de acampamentos, transportados por elefantes e camelos. A linha foi inaugurada em Fevereiro de 1904 pelo Vice-rei Lord Curzon. Vimos o amanhecer na estação de Lower Haflong, sítio rodeado pelas mais altas colinas dos North Chachar Hills, cortadas pelo rio Dyang. A construção da ponte ferroviária sobre o Dyang, construída numa curva, foi uma proeza maravilhosa. Atravessa o rio e depois desaparece num túnel, antes de surgir outra vez nas colinas do outro lado. Parece que Haflontg não foi tocado pela presença humana.

Há ruas, mas poucas pessoas à vista. Há muitas moradias mas ouvia-se apenas algures o cantar dos galos. Às vezes, um aviso pintado à mão com as palavras ”Chame o exército” com alguns números de telefone em baixo, perturbava o visitante. Continuámos por mais 8 quilómetros até Jatinga para ver algumas crianças na dança das colheitas – a shadpdung. A aldeia de Jatinga é habitada pela tribo Jaintia. Hoje em dia é um grande centro produtor de ananases. A próxima dança de shadpliang, acompanhada por uma guitarra, foi executada por um grupo de moças balançando pratos na cabeça. Havia uma inocência nos seus sorrisos e passos e a envolvência da árvore do pátio, as florestas ao longe e as colinas majestosas, encantaram toda a gente.
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