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Tributo a Ravi Shankar

de Shubhendra Rao

em 08 Jul 2013

  Dizem que é preciso uma vida inteira para encontrar o guru certo e mais algumas vidas para entender o que um guru realmente significa. Um dos maiores músicos do século XX, meu guru, Pandit Ravi Shankar, deixou este mundo com a idade madura de 92 anos. Ele foi um artista que mudou a cara da música clássica indiana para sempre e a sua contribuição para globalizar a nossa música será lembrada para sempre na história. Além da música que ele me ensinou, eu tive a sorte de ver o lado humano deste grande artista. A sua natureza infantil o entusiasmou a aprender a viver ao máximo, a sua humildade e seu humor…Ele não me ensinou apenas música, mas sobre a própria vida.

Eu nasci numa das famílias onde os gurus eram o centro das nossas vidas. Na sala em que fazíamos cultos na nossa casa em Bangalore, a foto do meu guru ficava ao lado da foto do Senhor Dattatreya e Adi Shankaracharya. Meu falecido pai N.R. Rama Rao foi um dos primeiros discípulos de Panditji no final da década de 1940, quando esta lenda viva ainda estava na casa dos vinte anos.

A estreita ligação entre o Panditji e o meu pai, denominada guru-shishya (mestre-discípulo é citada nos círculos musicais como no slogan Ram Bhakt Hanuman e por Ravi Bhakt Rao. Meu pai era um típico exemplo da tradição Shishya e eu cresci ouvindo muitas histórias sobre a bonita relação entre eles: meu pai sentado na parte de trás de uma bicicleta com uma sitara e Guruji dirigindo a bicicleta por toda a Índia. Eles cultivavam uma bela amizade que continuou até à morte de meu pai em 2004 devido ao Alzheimer.

Logo desde a minha primeira aula em 1973 em Mysore – onde ele me ensinou Raga Bhairav – até os nove anos vivendo e aprendendo com os inúmeros concertos em que toquei com Panditji. Todo o tempo foi uma experiência de aprendizagem. Lembro-me de duas semanas em Munbai em 1982, quando ele estava trabalhando com Richard Attenborough compondo músicas para o filme Gandhi (§). Panditji me ensinou incansavelmente por três a quatro horas durante a manhã antes de ir para o estúdio. No final de 1983, a Sra Indira Gandhi deu-lhe uma casa em Lodi Estate como um gesto de agradecimento pela música que compôs para os Jogos Asiáticos. Naquela altura ele queria ficar mais tempo na Índia e me pediu para ir para Delhi. Os nove anos seguintes são a base da minha vida, onde ele me ensinou não apenas música, mas como ser um artista completo. Para ele a música sempre foi uma busca espiritual e eu encontrei isso em cada raga que ele tocou.

O primeiro espectáculo em que toquei com ele no palco foi no dia 20 de Fevereiro de 1985. Eu tinha tocado com ele juntamente com outros três discípulos em 1983 no Auditório Siri Fort, mas nunca sozinho. Eu tinha saído para fazer algumas coisas naquela manhã e quando voltei para casa a sua secretária pediu-me para correr para Guruji porque ele estava procurando por mim. Ele estava prestes a tomar o seu banho e perguntou-me se eu poderia conseguir um pouco de água quente do outro banheiro. Eu estava um pouco surpreso porque havia outras pessoas que poderiam ter feito essa tarefa. Quando voltei com a água, ele comentou que eu deveria senta-me no palco com ele naquela noite. Supondo que ele queria que eu tocasse tanpura para ele, eu imediatamente disse que sim, Só quando eu percebi que ele queria que eu o ajudasse com a minha sitara é que eu realmente entendi o que ele quis dizer. Ele estava muito compreensivo a respeito do meu nervosismo e verdadeiramente solidário. Tocamos as canções Marwa e Bhoopali na primeira metade do espectáculo. Durante o intervalo, ele disse que eu deveria tocar na segunda parte.

Quando ele começou a tocar, eu fiquei um pouco mais confiante depois de ter sobrevivido à primeira parte e quando surgiu uma oportunidade na parte mais rápida da música, eu prolonguei ligeiramente a última parte. Imediatamente houve um enorme aplauso do público e ele sorriu. Certamente é uma noite que permanece profundamente gravada na minha memória. Toquei com ele em muitos outros espectáculos, mas um concerto em Bangalore com os meus pais e familiares na plateia é mais importante para mim. Eu estava cumprindo os sonhos dos meus pais e podia sentir os seus orgulhos.

Durante os meus anos de aprendizado, eu nunca desenvolvi o hábito de anotar o que aprendia. Tinha uma boa memória e Guruji chamou-me de “meu banco de memória”. Mesmo quando ele estava compondo para orquestras enormes, como no espectáculo “Ao vivo no Kremlin” em Moscovo, onde estivemos quase 150 músicos no palco, eu me sentava com ele e a minha sitara e ele compunha enquanto eu pegava todas as partes diferentes e mais praticava com outros músicos.
  (... continua) 
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