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O Caminho de Phiroz D. Mehta
“Ali” (distante de “aqui”) existe o não realizado - como tal, comporta sofrimento. O calor do desejo impele ao movimento, exigindo labuta, de forma a chegar ‘aqui’. Quando chega ‘ali’, torna-se ‘aqui’. Mas, de novo surge outro ‘ali’. O processo repete-se, reunindo momentos – a dor acumula-se, bloqueando a liberdade e negando paz. Assim acontece com os não-despertos, vendo apenas a separação dos seres e das coisas, cegos às ligações que constroem o todo. Uma vez despertos, a consciência liberta vê todas as relações em tudo, entre aqui e ali. Nessa altura nada existe que possa sujeitar alguém a um esforço vão – tudo é fácil e livre, a paz torna-se activa. A consciência liberta não tem restrições. A sua movimentação daqui para ali não sofre crispações – pode mover-se perpetuamente. Não há perda de energia. A capacidade que tem para ver todos os factos de forma transparente não lhe permite gerar sofrimento, produzir ilusões ou erros de percepção. Permeia cada aqui e cada ali; está em todo o lado. É espaço mental, ākāśa, integrando o aqui, o ali, e o em todo o lado. Isto é omnipresença.
Data: 27 Nov 2016
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Graça Divina de Debabrata Sen Sharma
No geral, a característica proeminente da filosofia indiana é o postulado do ideal supremo da realização do homem na sua vida e também a formulação dos meios para alcançar tal ideal. É por esta razão que a disciplina espiritual (sādhana) é prescrita por todas as escolas indianas de pensamento filosófico em conformidade com a sua particular perspectiva filosófica, o que constitui a parte inseparável das suas projecções de pensamento metafísico. Tal aplica-se mais às escolas filosófico-religiosas que devem a sua origem à tradição Tantra-Āgamic na qual se destacam os exercícios espirituais. A escola Shiva Advaita de Cachemira, vulgarmente chamada escola Shivaíta de Cachemira, assentando em sessenta e quatro Bhairavāgamas, parece ter as suas projecções de pensamento metafísico movendo-se à volta de sua filosofia de sādhana. O conceito de Graça Divina, o princípio Guru e o rito de iniciação (dikshā) – estes são os três membros (angas) da filosofia de sādhana. Propomo-nos a discuti-los, um a um, nos parágrafos seguintes. Mas antes de o fazer, gostaríamos de projectar alguma luz em alguns dos princípios filosóficos ligados com a sua filosofia de sādhana, porque esse conhecimento nos ajudará a compreender o conceito chave.
Data: 13 Ago 2016
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Uma boa parte da humanidade tem uma concepção de Deus derivada das religiões da Bíblia e sob essa perspectiva concebe-se Deus à escala humana, que embora superior em virtudes e poder, não deixa de ser um conceito terreno. No conceito oriental e sob a perspectiva do ensinamento do Buddha, vemos que a preocupação fundamental, não foi apresentar um conceito de Deus ou dizer que Ele existe, mas como “chegar” a Ele. O princípio da sua doutrina do Buddha reside na transformação do homem pelas acções e pensamentos correctos e só depois então, pode nesse percurso vir a desvendar a sua própria natureza e a conhecer a transcendência a qual designou por Nirvāna. Este autoconhecimento (no Budismo) visa que o homem transcenda a sua própria humanidade pelo estado de consciência desperta; ser autoconsciente, sem autocomiseração e vitimização, ou qualquer outro aspecto de fraqueza humana, através da recta conduta.
Data: 30 Ago 2015
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Nesta breve história é evidente a crença na reincarnação, que sustenta não só, a mitologia como a própria vida da Índia, com fundamento nas suas tradições religiosas e culturais. Mostra-nos, também, que mesmo aquele que já escolheu uma vida de retiro, pode ainda não se encontrar absoluta e suficientemente seguro para enfrentar a ilusão do mundo e de si próprio, e, como Māyā prende facilmente o mais prevenido. Quando ao praticarem-se austeridades e fervente ascetismo, para cortar os laços da ignorância a que nos prende Māyā, não se rompe de imediato com os anelos mais difíceis pois, ocultos, escapam a uma mente demasiadamente preocupada em os destruir. Nārada não era o que imaginava e assim se deixa arrastar para outra existência ou incarnação, numa nova forma física em busca da ilusória felicidade.
Data: 20 Abr 2015
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Siddhārta achou que a vida de príncipe era muito aborrecida. As experiências de prazer exclusivo cansavam-no – sentia-se encarcerado na vida real de indulgência. Na verdade ninguém renuncia ao prazer dos sentidos a não ser que se vejam defeitos neles. Siddhārta viu- os e ganhou aversão ao mundo material. O seu pai, Shuddhadhona, afastou-o de todo o tipo de sofrimento humano, contudo não lhe ocorreu que não poderia tornar o seu filho imune à miséria, enclausurando-o na opulência. Por isso, apesar os seus melhores esforços, um dia Siddhārta rompeu com o desvario da vida real e escapou para o meio dos comuns. A desolação do sofrimento humano captou-lhe a atenção. Observou como todos sofrem sem excepção. Não fazia diferença, quer fossem príncipes ou pobres. Ninguém escapa à tragédia da degradação, decadência e morte do corpo. O encontro de Siddhārta com um velho, um doente e um morto, um após o outro, elucidou-o instantaneamente, e deixou-o a pensar se haveria alguma forma de ultrapassar isto. Quando, finalmente, viu um Saṃnyāsin(1), encheu-se de esperança. Isto foi um ponto de viragem na vida de Siddhārta. Renunciou às suas vestes reais e aceitou a vida de ermita. O seu coração compadeceu-se com todos os seres. Procurou o caminho de libertação do sofrimento, não só por ele, mas por toda a humanidade. Quando atingia a sua busca, muitas denominações lhe eram mostradas: era chamado Budha – o Desperto, Sākyamuni - o sábio dos Sākyas, Tathāgata - o que tinha alcançado a Verdade suprema, etc.
Data: 08 Mar 2015
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Flor de Lótus
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