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Não há outro momento para viver

de Maria João Firme

em 25 Mai 2014

   Não há outro momento para viver a não ser aqui e agora.
De um modo geral, sejamos mais ou menos crentes no que quer que seja, pensamos que a vida não acontece por acaso. Neste caso, a vida humana. A nossa crença pode ser científica e defendemos acerrimamente a teoria da evolução, de Darwin; a nossa crença pode ser política e esgrimimos a ideia de que, já em embrião, se observavam traços vincados de luta de classes na sociedade neolítica, com o aparecimento de excedentes alimentares. A nossa crença pode ser religiosa e defendemos que Maomé encarnou para ensinar as leis divinas ao povo bárbaro e ignorante, uma das quais é a jihad ou guerra santa. Se a nossa crença for ateísta podemos defender que, tal como se vê, nunca houve nem haverá qualquer deus entre os homens, pois vivemos sem rei nem roque.
Se formos agnósticos, cremos que nem tudo tem que ter uma razão de ser, mas também pode ter, na verdade, tanto faz crer ou não crer.


O que parece certo é que acreditamos sempre em alguma coisa, nem que seja não crer em nada portanto, viver é pelo menos acreditar. Fixamos fortemente as nossas crenças no passado e no futuro mas, quanto ao presente, curiosamente, quase não acreditamos nele. O nosso pensamento guia-nos para “quando eu tiver aquele carro”, “ quando eu for amada como mereço”, “se o mundo tiver paz” ou “se o meu diretor me avaliar como quero”etc. Este “se” vem a dar no mesmo que “quando”, pois esperamos teimosamente pelo que não está aqui, por um salvador de asas douradas que nos eleve num céu diáfano, procurando não lidar com os anjos mais densos que estão a interagir connosco, aqui e agora.

Projectamo-nos num futuro imaginado ou num passado longínquo que idealizámos perfeitos, e o único sentimento que podemos ter é de nostalgia, sentimento ao qual os portugueses tiveram a particularidade de associar pessoas, locais ou situações e ao qual chamaram saudade. Este encantador e portuguesíssimo sentimento que os estrangeiros não compreendem mas veneram, provém de quem navegou por terras imperiais imensas mas deixou o coração preso à ondulação de uma minúscula serra, ou de quem se aprisionou numa ilha interior mas autorizou que seu coração vagueasse pelo mundo, apartando-se de si próprio. Sentimos compaixão pelo nosso sonho mas desprezo por nós mesmos.

Na verdade, estamos a hipotecar o presente quando preferimos viver no sonho de que teremos aquilo que supostamente merecemos ou no lamento da felicidade que já passou e que, na época, não avaliámos como tal. É o mito do eterno retorno, o local paradisíaco de onde viémos e para ao qual retornaremos, que desponta como criação coletiva ou como sentimento individual. Mas o que que não nos convém esquecer é que, seja como for, é este o paraíso que temos.

Talvez seja útil passar a acreditar que devemos viver o presente tal qual ele é, com as tristezas e dores que temos para abraçar e as alegrias e prazeres que temos para desfrutar. Poderemos dar-nos tempo de sentir cada um desses sentimentos até ao fim, despedindo-nos deles porque já fizémos a nossa aprendizagem. Talvez sejamos mais felizes desse modo. É apenas uma crença.
     


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