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O silêncio de Deus

de Maria João Firme

em 08 Mar 2015

   Imagine-se a observar um pôr-do-sol na arriba fóssil da Caparica. Sentado na impressionante rocha escarpada, surgem no céu variados tons de um magenta e azul magníficos, desfiados em extensos flocos de algodão. Embasbacados, os seus olhos pairam sem necessidade de respirar, enquanto um sol redondo, de um laranja intenso, se espraia no mar. Nesse momento sabe que Deus existe.
Observe um quadro de uma paisagem rural alemã no Outono, que lhe descreve as altas e frondosas árvores em vivos tons de verde, castanho, amarelo e vermelho; no Inverno, as mesmas majestosas árvores surgem-lhe nuas, como que perfurando a neve, numa gradação de branco, que quase o cega. As cores, o porte e a luz que emana dessas árvores, lembram-lhe que Deus existe.


Leia um bom livro e deixe-se envolver pelas personagens comuns ou inusitadas, com corações e cérebros a pulsar de vida; observe como desenrolam, no tapete da sua existência, momentos de cobardia ou de coragem, numa luta pungente e na procura de um sentido maior para a vida humana. Nesse sofrimento e nesse amor compreende que Deus existe.

Passeámos-nos muitas vezes pela terra, como anjos de ar, caminhando diafanamente à superfície, recusando dar passos mais fortes ou sentir a consistência dos terrenos de argila primordial. Mas a terra espera pacientemente o momento de moldar os nossos pés, e só quando aceitamos pousá-los firmemente, se poderá dar a metamorfose: os grandes e etéricos pés transformar-se-ão, amorosamente, em pequenos pés físicos. Foi necessário caminhar de experiência em experiência, até aceitar encaixar-nos nesses diminutos e compactos pés. Iniciamos então uma caminhada com “pés de barro”, em que num corpo de ruído e movimento se esconde um espírito de silêncio e quietude.

Desse espírito, somente temos laivos de consciência, pois dissimula-se por detrás de muitos véus. Só nos momentos de contemplação e paz se pode manifestar, como uma fugaz lembrança. Apenas nessas condições, quando externa e internamente nos conseguimos silenciar, dado que o silêncio é a sua verdadeira natureza. A época em que vivemos, apesar de todo o seu ruído, permite-nos um maior acesso ao nosso íntimo, pois reúne uma vasta experiência. Foram longos os períodos em que infligimos ao nosso semelhante um grande sofrimento físico, nos degladiámos em guerras intestinas e nos torturámos psicologicamente, de forma pouco humana. Já refletimos sobre esses acontecimentos, problematizámos, teorizámos e concluímos muitas coisas, sobre esta experiência encarnatória.

É essa a razão porque cada vez um maior número de pessoas procura, individualmente, momentos de quietude e paz. Uns procuram-nos no esplendor da natureza, outros na sublime contemplação de obras de arte, outros na elevação da poesia e outros, claro, na meditação. Ao sentir, do mundo, a melodia, acedemos à sua essência, conscientes de que somos parte de uma divina epifania.
     


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