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Aqui também, a criatividade na Arte do Pensamento presta homenagem ao Ser, e para além de autores já consagrados, damos espaço aos jovens valores que connosco queiram colaborar em vários temas.

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Entrevista com Maria

de Joel Neto

em 30 Out 2006

  “Escrevo porque tenho algo a transmitir. Tudo o que digo resulta de realizações internas, das minhas experiências pessoais de compreensões. E é isto que me leva a que chamo a minha missão: ajudar ao despertar espiritual de Portugal e dos portugueses” diz. A sua esperança é que, no dia em que vier Maitreya, o segundo Buddha, também haja no nosso país pessoas prontas a recebê-lo. “No Ocidente, encara-se muito a vinda de Maitreya como a segunda vinda de Cristo. Como se tratasse da mesma energia. No Oriente, contesta-se esta visão. A mim, sinceramente, nem me interessa isso: será algo acima de todos os rótulos”.

Vendi dez mil livros de espiritualidade,

Eis o grande cabeçalho do artigo do jornalista Joel Neto a partir da entrevista que fez a Maria, e que saiu no dia 22 de Outubro no Correio da Manhã.

Maria. Assim mesmo, com um só nome. Quem vai aos livros de Maria Ferreira da Silva, um total de dez obras sobre espiritualidade publicadas nos últimos anos em edições de autor ou na recém-criada editora Maitreya, só encontra esse nome no lugar do autor: Maria. “Aquilo que procuro é um caminho de despojamento. Despojamento do nome, despojamento de dinheiro, despojamento de convenções sociais, até despojamento de afectos. Sou vegetariana (…), exerço a renúncia”, explica a própria autora. Com 60 anos, Maria Ferreira da Silva é a principal impulsionadora do Budismo Theravada em Portugal e, ao mesmo tempo, a maior escritora portuguesa sobre filosofias orientais, com mais de dez mil exemplares vendidos. Vive numa casa antiga mas confortável, em Cascais. É educada, elegante, polida – a antítese do estereótipo de vidente português, de ar semilouco e discurso desconchavado. E, porém, dispara a certa altura: “Numa das minhas vidas anteriores fui Maria Madalena”, dispara não, di-lo num tom cauteloso, quase envergonhado, prevendo de imediato o que acharão dela os mais cépticos. E é inevitável que, a partir desse momento, a conversa siga por aí.

“Tenho um percurso “sui generis” na espiritualidade. Casei-me muito cedo e fui muito feliz durante bastantes anos. Por volta dos 35 no entanto, comecei a sentir um apelo interior para ajudar os outros por um lado, e para encontrar respostas para uma determinada transformação mística para que me sentia vocacionada. Aos 40, estava divorciada e afazer um caminho independente no domínio espiritual”, conta.
É nessa altura que recomeçam na minha vida algumas experiências espirituais que já tivera na infância. Aparece-me Mestre Jesus e pede-me que faça um período de recolhimento, meditação e jejum, de forma a preparar-me para o que se vai passar a seguir. Uma semana depois, volta a aparecer-me e diz-me, então sim, que numa das minhas vidas anteriores eu havia sido Maria Madalena. No estado espiritual em que estava naquele momento, foi uma felicidade. Quando ele começou a desvanecer-se pensei que não estava boa da cabeça. Depois voltei a acreditar”.

Dois pontos: primeiro, aquela não terá sido a primeira vez que Jesus Cristo lhe apareceu, de acordo com o que diz a própria Maria Ferreira da Silva. Segundo, Maria Madalena não foi sua única encarnação – longe disso. “Nasci num lar católico praticante do Porto e comecei a ter experiências de vidência muito cedo. Entre os 8 e os 12 anos. Mesmo Jesus apareceu-me várias vezes, sempre nos planos etéricos, invisíveis. Foram visões que se repetiram ao longo desse tempo”, garante. “Numa das minhas vidas, portanto, fui Maria Madalena. Noutra, fui um faraó no Egipto (§). Noutra ainda, um pária na Índia, no que terá sido uma vida de enorme sofrimento. E, numa vida mais recente, fui uma freira em França. Esta foi uma das vidas mais relevantes, a par da de Maria Madalena. Agora, porém, estou a fazer tudo para não voltar a incarnar. É muito doloroso percorrer de novo o processo de crescimentos de um corpo físico, do nascimento até à morte, passado pela infância pela adolescência e pela idade adulta. E, de qualquer forma, Cristo diz-me que eu tenho muito trabalho a fazer com eles do outro lado, no pós-morte, que é também vida”, acrescenta.

Muitas destas experiências vêm contadas em “O Avatāra”, o mais bem-sucedido dos livros de Maria. Mergulhada há 25 anos nas filosofias orientais, a escritora tornou-se entretanto num verdadeiro ícone para um determinado nicho do mercado editorial português. À margem, investiu-se a si própria no papel de principal promotora do Budismo Theravada em Portugal.
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