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Apologia da Inteligência

de Maria Ferreira da Silva

em 26 Fev 2007

   Li, algures numa revista, que os vegetarianos são mais felizes e mais inteligentes. Sim, mas os vegetarianos não são mais felizes só por comerem vegetais, eles são mais felizes porque são (ficam) mais inteligentes.


Explico: pelo facto de se fornecer ao cérebro e ao restante organismo o alimento adequado (alimentos puros), há mais claridade mental e isso naturalmente se traduz por mais inteligência, o que deixa o ser mais confiante em si próprio. Ou seja, a alimentação vegetariana (sem carne e peixe) sendo mais leve, não bloqueia o cérebro, sobressaindo então maior lucidez, sendo esse um facto que contribui para a pessoa sentir-se bem, feliz; tanto mais que, o coração, também não tendo bloqueios de energias provocadas pelas digestões pesadas, descontrai no seu compasso rítmico, podendo expandir-se mais em amor (é essa a energia que emana naturalmente do coração), sentido em menor ou maior grau, conforme for a evolução espiritual de cada um.

Havendo então, maior claridade mental, há também a possibilidade de se usar mais tempo e bem o cérebro, com maior capacidade para se elaborarem pensamentos criativos e resolverem questões, enfrentando-se os desafios da vida com maior segurança e auto-confiança. Então sim, nesse seguimento, o cérebro vai-se desenvolvendo cada vez mais, fazendo mais ligações ou sinapses (junção entre os neurónios), porque as capacidades cerebrais bem usadas são infinitas, podendo então emergir mais inteligência. Há capacidades no cérebro quase adormecidas na maior parte dos seres humanos, pela falta de qualidade de viver e sobretudo de se alimentar, sendo este um dos pontos importantes para o equilíbrio físico, psíquico e espiritual de qualquer um.

O equilíbrio do cérebro está em optimizar o comportamento, ou seja, fazer frente às necessidades do organismo, segundo as possibilidades ou reacções do momento, pois são estas funções naturais que geram Consciência - Inteligência. Se pela correcta alimentação ajudarmos o cérebro a processar os seus mecanismos sem obstáculos de maior, haverá naturalmente uma transmissão harmoniosa entre os neurónios, emergindo então uma mente clara, luminosa ou inteligente.
Há assim inúmeras vantagens na alimentação vegetariana, sendo a principal na saúde. Uma alimentação cuidada previne doenças, depura o organismo, mantém o equilíbrio físico (não engordar) permitindo maior agilidade, desenvolve pensamentos positivos (passivos, não-violência) e altruístas e dá ao mesmo tempo, maior conhecimento e justo valor sobre o que se ingere, derivando então maior sintonia com a própria Natureza.

Visto pelo lado contrário, uma mente confusa provoca necessariamente infelicidade; desgasta psiquicamente, levando a períodos de melancolia ou mesmo de depressão. A energia depressiva inunda o cérebro (como uma onda) dificultando o seu normal funcionamento, diminuindo, com o passar do tempo, as capacidades de inteligência (em vez de uma progressiva evolução das células cerebrais), o que se pode tornar um hábito e, mais grave ainda, enraizar-se tão profundamente, que a pessoa se convence que é este o seu estado natural.
Mas não, o estado natural do ser humano é a claridade mental, ou seja, o que nos torna Conscientes é a Inteligência, a qual sabemos ser um valor intrínseco da vida humana, ou podemos dizer também, que somos mais inteligentes quanto mais auto-consciência tivermos. Sem sombra de dúvida que a infelicidade provém da ignorância e esta é fomentada pelos maus hábitos, ambições e egoísmo, o que pode ser diminuído com uma mudança de atitude. A alimentação adequada contribui profundamente para esta viragem no viver.

Isto não só se fundamenta num valor ético (não matar nem comer animais), como num equilíbrio físico-energético do organismo, como na distribuição de energias prânicas. Os alimentos mais puros, sem toxinas, de fácil digestão e fornecedores de oxigénio ao cérebro são os vegetais, as frutas (naturais ou secas) e os cereais.
   (... continua)  
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