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Lá, onde o mundo acaba e o mar começa

de Maria João Firme

em 15 Jul 2014

   Eis a frase que ecoava em mim, após a conferência de Carmelo Samonà, em Lisboa, por altura dos “Encontros da Antroposofia”. De que profundezas da alma oceânica provém este verso?... Iniciei a pesquisa pela “Mensagem”, uma vez que a memória já me atraiçoa. Nada!... Continuei com Pessoa, pelo que passei o “Cancioneiro” a pente fino. Nada, vezes nada. Só mais tarde, aproei no verso similar de Camões, em “Os Lusíadas” (Canto III, estrofe 20).

Pode ter sido aproximadamente esta a visão existente entre pensadores, navegadores ou mercadores europeus e orientais da época medieval. Na verdade, o restante território conhecido da Europa e da Ásia localizava-se para oriente da Península Ibérica, sendo que nesta, o reino de Portugal representava “o Ocidente”. Este conceito foi-nos apresentado em pano novo, tecido num enquadramento filosófico em que foram alinhavadas a Ásia, o Médio Oriente, a Grécia, bem como a Europa do Norte, tendo-se rematado o trabalho na Península Ibérica, um pouco descosido neste ponto, pois se separou Portugal de Espanha.

A palestra, cujo tema central foi a consciência do homem na sua dimensão temporal, transportou-nos até uma “consciência arcaica”, quando a alma do homem alma estava intrinsecamente ligada à alma do mundo, e os deuses se expressavam através da natureza. Nesta época, o conhecimento acontecia através da identificação do homem com o mundo, e mais não era do que a lembrança da sua origem divina. Neste enquadramento se tornou lendária a mesa redonda do Rei Artur, objeto misterioso e arquetípico, pois era lá que o céu refletia a terra. Esta lenda, dissimulada entre as densas brumas da Bretanha, redesenhava uma consciência, cujas origens eram provenientes do continente asiático.

E esta consciência arcaica ter-se-ia propagado no espaço e sido apropriada pelo espírito de cada região, entrelaçando o sagrado e o profano, o espírito e a matéria e imprimindo em cada uma o cunho existencial, a religião e a ordem próprias. Entre os portugueses espelha-se em “Mar Português”: “Deus ao mar o perigo e o abismo deu/Mas nele é que espelhou o céu”.
Com a evolução do pensamento ocidental, o povo português ao ver-se separado dos deuses e dos ritmos divinos, ter-se-á tornado guardião do ”espírito do tempo”. À sua frente, o abismo do mar era a dupla face do horizonte sem fim. O elemento divino voltou a ser a essência do homem, e Deus no homem pode recriar-se a si mesmo. Portugal deve assim voltar a mergulhar na sua consciência intelectual imaginativa, espontânea entre os antigos, podendo fluir agora, como resultado de um desenvolvimento livre da humanidade.

Mestre Samonà lembrou-nos, pois, que os portugueses têm a faculdade de navegar na imaginação criativa ou interioridade, o que lhes dá a capacidade de resolver a rigidez do mundo. Possuem a fluidez e a plasticidade, diz, que se espelham numa cultura e literatura únicas, tendo deixado testemunhos variados, do oriente até terras de Vera Cruz.
Estamos gratos a Carmelo Samonà por nos ter transportado de novo ao cabo de Sagres, onde meditámos juntos, olhando o horizonte....as ondas batiam na areia, num ritmo eterno e profundo. Então, começámos a ouvir um suave sopro de ondinas e uma mensagem para o povo português : “DESPERTA... É A HORA!...”
     


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