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A Paz em Si

de Maria João Firme

em 08 Jan 2015

   Ateado o fogo na lareira queimei, uma a uma, as trinta páginas escritas. Cada qual continha apenas uma ideia, recriada em cada um dos dias do mês que findara. A chama elevou-se tripartida, por entre o lenho e os toros secos. Três vezes parei, para intercalar a queima do papel com folhas e raminhos sobrantes do Outono anterior, que esperavam pacientemente a sua vez. Cada uma das páginas registava um conceito ou uma ideia de paz. Este exercício foi-me sugerido por alguém, que igualmente me instruiu para que, depois de terminada a tarefa, lesse tudo o que tinha escrito e, em seguida, fizesse desaparecer todos os registos. “Porquê?” – perguntei. “Para que não sobreviva qualquer intenção de ego” - respondeu. Acrescentou que, depois disso, qualquer coisa se alteraria em mim de forma qualitativa, e que eu não voltaria a ser a mesma.

A metódica dúvida conspirou, de imediato. Paz, conceito de paz, ideia de paz só tenho uma! Que mais poderei dizer sobre ela, senão iniciar uma repetição enfadonha que se prolongará durante trinta dias?... Apesar das interrogações da minha mente, o meu coração abraçou a ideia e empenhei-me no exercício. Deixei que a paz me envolvesse diariamente, como se de uma espiral se tratasse e, dia após dia, evoquei a ideia e ampliei-a dentro de mim.

No início, quando o meu pensamento se inflamava era acolhido por uma chama tranquila e azulada; outras vezes, as construções mentais eram acolhidas por ondas de salpicos surgidos de uma maresia pacífica, e noutras ocasiões eram varridas pelo bater de asas de uma brisa; outras vezes ainda, deitavam-se em repouso no interior da terra.

Num segundo momento, com a mente fresca, relembrava os acontecimentos do dia. E pude observar, com emoção, que várias atitudes e ações tomadas na sua passagem, não passavam de desamparados farrapos de paz que, num cego mas permanente labor, procuravam a sua ligação à “fonte”. Comecei por fim a compreender que, de forma consciente, poderia trazer mais paz a cada um dos meus dias, trilhando passo a passo, a escolha do meu próprio caminho.

Descobri então que a paz já está em cada um de nós, aqui e agora. As paz está em múltiplas e insignificantes ações. Os impulsos inconscientes de paz estão em nós, sendo os impulsos de medo apenas a sua sombra. Nada mais que os fragmentos de paz que, desnorteados, se procuram religar à fonte sendo que o nosso papel passa por integrá-los e libertá-los, num fogo feito de terra e ar mas que pode ser apagado pela àgua das nascentes, que correm para os rios e para o mar. E que todos somos feitos desta matéria, agora e na eternidade.

Senti que a paz está em mim e que a paz está em si. Talvez a nossa função seja apenas rasgar a estrada, embelezar o caminho e espalhar a alegria, que nos liga... à Paz em Si.

     


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