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Neste espaço especialmente dedicado à Meditação, sua prática e métodos, constará de um guia ao qual damos o nome de Curso, baseado no trabalho que realizámos nos últimos anos ensinando a Meditação. Está dividido em nove lições, nas quais será explicado através de esquemas e de imagens o lado prático, como também acompanhar com profundidade, a teoria filosófica que envolve a Meditação pela vivência de um percurso interior.

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Curso de Meditação - 6ª Lição

de Maria Ferreira da Silva

em 02 Out 2006

  A evolução de consciência permite então, conhecer os mistérios da vida e dos erros do passado. Também só se pode conhecer os karmas passados (vidas passadas), quando se está preparado espiritualmente (não através de regressões) para o reconhecimento dos erros e aprender com eles a melhor relação com as dificuldades presentes.

Beatriz de Dante Gabriel RossettiSOFRIMENTO

Duhkha

Duhkha - está geralmente ligado ao conceito de sofrimento. Contudo, Duhkha implica aquilo que pode causar o sofrimento e não o sofrimento em si mesmo.
Duhkha é um estorvo na mente, uma limitação. De alguma maneira há sempre algo que nos incomoda e condiciona profundamente. Esta limitação é Duhkha. Quando nos sentimos bem com o sentimento de espaço e clareza mental, é o contrário de Duhkha: Sukha.

As palavras em sânscrito circunscrevem o significado e o objectivo inerente a cada sentimento e emoção, podendo-se assim “agarrar” cada palavra e associá-la ao obstáculo que temos de trabalhar. São palavras específicas, que dão impulso e claridade à mente. Duhkha é um exemplo, no qual uma só palavra tem um significado poderoso e directo.
A base do ensinamento do Buddha (§), por exemplo, consiste em como eliminar o sofrimento, pois enquanto o ser vive num corpo físico, se não houver atenção e superamento de si próprio, o sofrimento de alguma maneira permanecerá, já que a matéria restringe a mente, o movimento do corpo e os próprios sentimentos.

Poderemos falar, não da eliminação total de Duhkha, mas da sua diminuição, através da tomada de consciência de Avidyā (ignorância) pois esta sujeita todas as acções. Estamos acostumados a certas coisas e é difícil vermo-nos sem elas. Vivemos condicionados por certos hábitos e quando são interrompidos sentimo-nos incomodados, mas encaminhar a mente na direcção de um objecto de percepção pode atenuar o sofrimento.

Assim, quando sentados em Meditação, elevando ou fixando a mente num ponto que pode ser (por exemplo) um Maṇḍala, pratica-se o desprendimento e tal ajuda a desbloquear certas pressões mentais que são a causa do próprio sofrimento. Também se pode meditar noutros símbolos: numa rosa, num plano de amor, num Mestre da sua devoção. A esta prática de Meditação chama-se com semente, que quer dizer, ter um objecto para meditar.
Duhkha ou formas de sofrimento, provêm das nossas acções, que ora nos colocam em certos estados de felicidade, ora de infelicidade. É esta alternância que causa sofrimento. Quando não podemos continuar nas coisas de que gostamos é a infelicidade e a confusão. Devemos reconhecer estes incómodos da mente e retirá-los.

Dentro do aspecto de Duhkha, encontramos as três qualidades ou Guṇas
Tamas - Rājas - e Sattva.
Tamas – é pesadez, torpeza, confusão, conflito interior, isto é Duhkha.
Rājas – é a qualidade da mente que necessita frenesim, movimento mas que também produz Duhkha.
Sattva - é claridade, a mente está em repouso, obviamente, não produz Duhkha.
Estas qualidades são inerentes à mente, em que duas são negativas e uma positiva, e cada uma pode ter o seu momento de predomínio, porém, interagem continuamente.
Duhkha não significa dor, é distinta da dor física.

Duhkha consiste numa moléstia ou perturbação dentro de nós, é essencialmente sofrimento mental e psíquico, onde não há localização de dor, mas um anseio por algo e vem a causar melancolia, apatia, sentimentos de culpa e de posse, podendo evoluir para a depressão.
Para reduzir o estado de confusão e de anseio é necessário sermos flexíveis e compreendermos que tudo é impermanente, e mesmo aquilo de que não gostamos hoje pode mudar amanhã, pois há sempre movimento e alternância. Só nos libertamos desta dualidade, quando alcançamos o estado de “isolamento” (kaivalya) por meio do desapego ou renúncia (distanciamento das coisas inúteis). Cada vez que o homem avança espiritualmente, sattva prevalece cada vez mais, e a mente pode ficar clara como cristal.

Avidyā (ignorância) distrai a mente. O objectivo da Meditação é acalmar a mente e mudar a qualidade da acção para evitar que Duhkha (sofrimento) chegue.

Transformar a melancolia em devoção a Deus, a apatia em vontade, a posse em dádiva.
  (... continua) 
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